Porta-Voz diz que Bolsonaro faz análise política antes de enviar projetos ao Congresso

Jussara Soares

BRASÍLIA - Um dia após o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que o governo está repensando o ritmo das reformas com receio de protestos, o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, disse, nesta terça-feira, que o presidente Jair Bolsonaro faz uma avaliação política antes de enviar suas propostas para o Congresso. O porta-voz confirmou também que o envio do texto da reforma administrativa, que era previsto para ser entregue no início de novembro, ficou para o próximo ano.Ao ser questionado se o Planalto confirmava as declarações do ministro Guedes de que Bolsonaro pediu uma desaceleração no envio das reformas por temer manifestações como as que ocorrem na América Latina, Rêgo Barros disse que o presidente tem "a responsabilidade normal, natural e essencial de analisar e identificar o timing do avanço das diversas propostas que o governo faz junto ao Congresso."

Viu isso? Reforma prevê fim da progressão automática para servidor- Claro que, dentre outros aspectos, os aspectos políticos são envolvidos. Aspectos técnicos e aspectos políticos são envolvidos. Então, o presidente, sim, elabora a sua formulação e encaminha as propostas fazendo estudos em vários campos do poder, entre eles naturalmente o campo político - respondeu.Em Washington, depois de evento no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na segunda-feira, o ministro Guedes disse que o “instinto político” do presidente Jair Bolsonaro apontou que o mais prudente seria não fazer muitas reformas seguidas e repensar o timing proposto inicialmente.

Minirreforma trabalhista:Programa Verde-Amarelo muda regras que vão além do emprego para jovensRêgo Barros evitou relacionar a demora do envio da reforma administrativa, que muda regras para novos servidores, ao temor de protestos. A ideia inicial era que a proposta fosse entregue em conjunto com o pacote de medidas econômicas no último dia 5. Depois de sucessivos adiamentos, o porta-voz confirmou oficialmente que ficou para o início de 2020. Aos jornalistas, Rêgo Barros justificou que Bolsonaro pediu mais detalhes sobre as novas regras para o Ministério da Economia e ressaltou que isso não se trata de um "recuo" na agenda de reformas do governo. O próprio presidente já admitiu que pediu a Guedes que a reforma administrativa seja "a mais suave possível."

Guedes:'Não estou preocupado com a alta do dólar'- Nos temos como linha temporal enviarmos a proposta da reforma administrativa no início do ano que vem. Isso não significa, no entanto, da parte do governo qualquer recuo, qualquer inviabilidade do projeto maior, que encampa uma série de reformas, que colocarão o Brasil a caminhar de forma bastante rápida nessas questões estruturais - disse.