Portinho, mercado instalado em galpão histórico na Região Portuária, atrai novos empreendedores e clientes

Um imóvel centenário de 500 metros quadrados e seis metros de pé-direito chama atenção na Avenida Rodrigues Alves 135, no Porto — e não apenas pelo grafite na fachada. Ali funciona o Portinho, mercado local que une arte e gastronomia num modelo de negócios acessível para quem quer empreender.

— A gente atua no Porto há muito tempo e sempre acreditou que era uma região promissora. Em todas as cidades do mundo, o lugar é um centro histórico que nunca é abandonado — diz Roberto Kreimer, diretor da Kreimer Engenharia, à frente do empreendimento. — Aqui no Rio, essa área é também é um centro geográfico. A Ponte Rio-Niterói dá no Porto. A Linha Vermelha dá no Porto. Os aeroportos dão no Porto.

Com tijolos originais aparentes, o endereço em frente ao Armazém 2 tem charme e história. Ali aconteciam as operações dos armazéns alfandegários, onde eram carregadas as mercadorias para os navios. Alguns dos trilhos usados nesse caminho ainda podem ser vistos no final do galpão.

Ao todo, poderão ser instalados 25 boxes de arte e gastronomia, distribuídos por um espaço coletivo com mesas compartilhadas. Já estão por lá Martina Café, o italiano Stare Cuccina, a hamburgueria Bistrô de Rua e o Vintage Beer. A curadoria é do arquiteto Victor Niskier, conhecido por projetos em eventos como o Casa Cor.

— Vamos abrir as portas para um festival com quase uma dezena de artistas que costumam trabalhar em conjunto comigo — diz o arquiteto, que escala nomes como Cris de Lamare, Chris Bernardes e Fernanda Gialuissi. — Terei um canto no Portinho. Vai ser a Curadoria Victor Niskier, mix de galeria de arte e loja de design com peças de artistas renomados e essências temáticas do Rio, feitas de forma orgânica e sem crueldade animal, para o turista levar de suvenir.

Poucas opções no Porto

A engenheira Mariana Alegria chegou ao Portinho por acaso. No meio da caminhada entre as avenidas Barão de Tefé e Rio Branco, esbarrou com o local e entrou para tomar um café:

— O turista vem aqui, anda de um lado para o outro, tira uma foto no mural do Kobra e faz o quê? Senta onde? Faltava um espaço desses.

Ainda que haja demanda local por bares e restaurantes, as alternativas por enquanto são poucas em uma região com cerca de dez mil pessoas trabalhando durante a semana. Na temporada de cruzeiros, entre outubro e março, o número de gente circulando na área tende a aumentar.

— Não há muitas opções para almoço. E aqui você pode vir almoçar, tomar um café ou até curtir à noite — aprova a analista administrativa Mariana Gerbara, em sua segunda vez no Portinho. — É muito agradável, traz um clima industrial. Viemos almoçar, e agora que começou a música ambiente ficou melhor ainda. Nem dá vontade de voltar para o escritório.

— Tudo está ressurgindo aos poucos. Tem potencial porque existe a sensação de comer na rua — completa a advogada Priscila Batalha.

Outro atrativo do Portinho é o modelo de negócios, mais simples do que o de shoppings centers, por exemplo. Os contratos, mensais, podem ser rescindidos com 30 dias de aviso prévio. Não é necessário fiador. Aluguel e condomínio totalizam R$ 3,5 mil.

— O mercado de varejo vem dando muito errado, só serve para quem é muito grande. Resolvemos fazer um modelo antagônico a isso. A gente acredita no lugar e quer que as pessoas sintam-se bem aqui dentro. Buscamos uma proposta leve, que dê oportunidades — diz Kreimer. — Sempre tem essa dúvida do quem vem primeiro, se é o público ou o serviço. O serviço já está aqui, preservando as características do Porto e resgatando história.

Num passeio com os filhos e o cachorro, o morador da Gamboa Leonardo Costa viu uma placa sobre o lugar. Agora, administra o Vintage Beer, parceria com a cervejaria Mistura Clássica, que oferece comida de botequim, chope e decoração na qual se misturam itens do universo geek, São Jorge e instrumentos musicais.

— A placa dizia: “Venha empreender com a gente” — diz ele, que antes vendia chope sobre quatro rodas, no caso um fusca. — Aqui virou uma extensão da minha casa.