Porto de Beirute teve 'sorte' de escapar de outras explosões, diz empresa alemã

Hachem OSSEIRAN
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Área do porto de Beirute onde aconteceu a explosão de 4 de agosto de 2020

O porto de Beirute, palco em agosto de uma enorme explosão que destruiu bairros inteiros da capital libanesa, teve "sorte" por se livrar de outras explosões de materiais perigosos, segundo uma empresa alemã que tratou cinquenta contêineres de produtos químicos.

O especialista em materiais químicos Michael Wentler, que lidera o projeto para a empresa Combi Lift, afirma que no porto de Beirute havia milhares de litros de substâncias perigosas armazenadas há mais de dez anos, em contêineres que estavam muito danificados.

"Encontramos substâncias que teriam provocado uma explosão se tivessem se misturado", explicou Wentler à AFP. "O porto teve sorte, os contêineres estavam afastados" uns dos outros, destacou.

Combi Lift, especializado no transporte de pesos pesados, tratou 52 contêineres de substâncias químicas perigosas, segundo um contrato assinado em novembro com as autoridades libanesas.

Eles teriam sido incendiados facilmente, já que vários focos foram desencadeados, de origem desconhecida, por todo o porto depois da catástrofe, que causou mais de 200 mortes e mais de 6.500 feridos.

- Carga misteriosa -

A gigantesca explosão foi causada pelo armazenamento - sem medidas de precaução, algo admitido inclusive pelas autoridades libanesas - de uma grande quantidade de nitrato de amônio.

As autoridades ainda não explicaram por que o navio que transportava essa carga atracou no Líbano, ou por que a carga ficou armazenada ali por mais de seis anos.

Segundo a equipe do Combi Lift, as substâncias químicas que tratou também não tinham nenhum registro claro sobre sua origem ou sobre as causas de seu abandono.

Com exceção da data de entrada no porto, "nenhuma das autoridades do porto parece saber alguma coisa sobre essas cargas", afirmou Michael Wentler.

"Não acredito que as autoridades portuárias saibam o que tem" no porto, lamentou o especialista.

A explosão danificou seriamente os contêineres inspecionados pela empresa, muitos dos quais já se encontravam em más condições anteriormente. Alguns estavam vazando inclusive, corroídos pelas substâncias ácidas que continham.

"Não foi possível levantar ou deslocar muitos contêineres, devido ao péssimo estado em que se encontravam", afirmou Michael Wentler.

Por conta disso, os especialistas tiveram que descarregá-los à mão.

Uma operação que não esteve isenta de riscos. O chefe do projeto afirmou que, se não fosse a equipe especial que havia levado, poderia ter sofrido um acidente com ácido clorídrico, que vazou pelo fundo do barril corroído quando o levantou.

Esta substância corrosiva e tóxica representa 60% dos produtos químicos encontrados, segundo Wentler.

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