Novo método de biovigilância ajuda a detectar zika em mosquitos e humanos

Washington, 3 mai (EFE). - Um novo método de biovigilância vai ajudar a descobrir se a zika está presente nas populações humanas e nos mosquitos, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira na revista "Science Translational Medicine".

A investigação, realizada pela Universidade do Estado do Colorado, nos Estados Unidos, e dirigida pela equipe do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Patologia, utilizou uma técnica de amplificação de DNA conhecida como LAMP, para detectar facilmente o vírus em amostras brasileiras, americanas e nicaraguenses.

Os pesquisadores esmagaram um mosquito dentro d'água, tiraram dois microlitros dela - ou 0.002000000 ml, o equivalente a cabeça de um alfinete -, e depois a aqueceram em um tubo com químicos e reativos. A cor mudava de 30 minutos a uma hora. Este novo método de biovigilância permitiu indicar rapidamente se o zika vírus estava presente nos mosquitos, o que evitaria espalhar pesticidas e usar outros métodos de prevenção da doença em locais onde não são necessários.

O diagnóstico humano ainda é um desafio e vai levar mais tempo para ser aprimorado, já que requer uma grande quantidade de dados antes de as agências reguladoras dos governos autorizarem a utilização do LAMP como teste em pacientes.

O LAMP, ou amplificação isotérmica de DNA mediada por loop, foi desenvolvido no Japão, em 2001, para detectar pneumonia em cabras e é similar à tecnologia conhecida como reação em cadeia da polimérase (PCR, sigla em inglês), que faz uma análise exaustiva das amostras de DNA, com a vantagem de poder ser usada em campo e não só em laboratório, além de ser mais barata.

"A maioria dos países envolvidos no surto atual (de zika) não é rico. É importante tentar desenvolver métodos de vigilância de baixo custo que algum dia possam ser usados por estas nações", afirmou a pesquisadora Nunya Chotiwan.

Estima-se que o custo de um dispositivo para usar o método LAMP seja de US$ 250 (R$ 790), enquanto as máquinas do sistema PCR para detectar em tempo real custa de US$ 15 mil a 25 mil (R$ 47.500 e R$ 79.290).

De acordo com a publicação, médicos do Hospital Pediátrico de Manágua (Nicarágua) vão testar a nova técnica, sem abandonar os sistemas tradicionais, e profissionais de Porto Rico vão empregar o método para verificar as condições dos mosquitos. EFE