EUA não apresentarão acusações contra agentes que mataram homem negro em 2016

Washington, 3 mai (EFE).- O Departamento de Justiça dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira que não apresentará acusações contra os dois polícias brancos envolvidos na morte do cidadão negro Alton Sterling na cidade de Baton Rouge, na Luisiana, em 2016, incidente gravado em vídeo que provocou uma onda de protestos.

Em comunicado, o Departamento de Justiça informou a decisão de exonerar os agentes Blane Salamoni e Howie Lake, conforme antecipado na terça-feira pelo jornal "The Washington Post".

O Departamento de Justiça anunciou que não encontrou "provas suficientes" para processar os agentes e, por isso, decidiu fechar a investigação, aberta há dez meses pelo governo de Barack Obama e que buscava determinar se os polícias agiram por racismo quando atiraram contra Sterling.

"Depois de uma extensa investigação sobre este trágico acontecimento, os promotores do Departamento de Justiça concluíram que as provas são insuficientes para provar além de qualquer dúvida que os polícias Salamoni e Lake violaram deliberadamente os direitos civis de Sterling", diz o comunicado.

A morte de Sterling ocorreu no dia 5 de julho do ano passado, quando dois agentes responderam ao chamado de um vizinho que alertava que um homem negro que estava vendendo CDs de música fora de uma loja tinha começado a proferir ameaças enquanto segurava uma pistola.

Os policiais chegaram ao estacionamento da loja onde estava o homem, houve um confronto e Sterling foi aingido por vários tiros. O incidente foi gravado por um celular e as imagens foram reproduzidas durante meses pela imprensa.

O vídeo mostra dois agentes brancos que jogam Sterling ao chão e, quando o imobilizam, um deles saca o que parece ser uma pistola, a coloca no pescoço da vítima e são ouvidos tiros enquanto a câmera se afasta da cena. Antes de a câmera se mexer, é possível ouvir uma voz gritar: "tem uma arma, uma arma".

Horas depois dos disparos, ocorreram as primeiras manifestações em Baton Rouge, que acabaram se multiplicando em várias cidades de Estados Unidos.

A morte de Sterling coincidiu com a de Philando Castile, outro homem que perdeu a vida no dia 6 de julho em Falcon Heights, em Minesota.

Os dois fatos reabriram a polêmica sobre o preconceito racial nos Estados Unidos e voltaram a colocar sobre a mesa o problema da violência policial contra as minorias.

Esta é a primeira vez que o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, rejeita perseguir judicialmente os policiais por um possível delito.

As organizações defensoras de direitos civis, como a União para as Liberdades Civis na América (ACLU), acreditam que Sessions não se esforçará em perseguir os polícias que cometam ofensas contra cidadãos negros e hispânicos devido ao seu controverso passado, marcado por acusações racistas.

No entanto, sob o governo de Obama, o Departamento de Justiça também mostrou dificuldades para desenvolver este tipo de investigação, destinada a determinar se os agentes agiram por preconceitos raciais.

O Departamento de Justiça não encontrou provas suficientes para apresentar cargos contra o agente branco que matou o jovem negro Michael Brown em Ferguson, no Missouri, em 2014, e teve que fechar a investigação e deixar o caso para as autoridades locais. EFE