Portugal apoia transição energética de Cabo Verde

Portugal vai investir no fundo cabo-verdiano para o clima e transição energética através das amortizações da dívida de Cabo Verde. Este país lusófono deve a Portugal cerca de 600 milhões de euros. O acordo agora firmado define que de cada vez que for paga uma parte da dívida, o valor será reinvestido, integralmente, no país. Um investimento que, até 2025, pode ascender aos 12 milhões de euros.

Para o chefe do executivo português,António Costa, trata-se de _"_converter aquilo que é uma dívida" no que "passa a ser uma capacidade de Cabo Verde investir na transição energética, no combate às alterações climáticas", em conjunto com Portugal.

"(...) As alterações climáticas são, seguramente, o maior desafio que a Humanidade enfrenta nos dias de hoje. Mas esse é um desafio que se trava à escala global e nenhum país será sustentável se todos os países não forem sustentáveis".

Costa acrescentava que, “além da contribuição financeira, os portugueses contam poder ser envolvidos, mobilizados para contribuir nos mais diversos domínios” onde têm especialização em termos de melhoria da eficiência energética.

Cumprir as metas definidas

As metas de Cabo Verde, em termos de desenvolvimento sustentável, passam, naturalmente, pela transição energética. O país espera que, até em 2030, mais de 54% da produção energética resulte de energias renováveis.

Atualmente, este país insular importa cerca de 80% dos combustíveis que consome. Portugal já superou esta meta e espera, até 2026 atingir os 80 por cento. É por isso que se propõe apoiar Cabo Verde também com a sua experiência.

O homólogo cabo-verdiano de António Costa, Ulisses Correia e Silva, frisava que para ambos os países o mar é "um recurso muito importante, em termos de amplitude e de abrangência, mas também em termos de estratégia" e que essas, e outras, são razões para "ir mais além”.

A Ocean Race Summit, cimeira sobre os oceanos, aconteceu à margem, mas interligada, à primeira passagem por Cabo Verde da Ocean Race. Ela reuniu na ilha de São Vicente, políticos, governantes, especialistas e outras personalidades para abordar o futuro dos oceanos. Entre elas esteve também o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.