Positividade de Covid é maior de 30% na população acima de 40 anos há 8 semanas

*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, 27.05.2021: COTIDIANO - CORONAVIRUS - O Governador João Doria anuncia nesta quinta-feira (27), no Palácio dos Bandeirantes, investimento da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo) em iniciativas nas áreas da ciência, tecnologia e inovação. O evento teve testagem rápida de Covid-19 em todos os participantes. Na foto, profissionais da saude processam os testes rapidos. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, 27.05.2021: COTIDIANO - CORONAVIRUS - O Governador João Doria anuncia nesta quinta-feira (27), no Palácio dos Bandeirantes, investimento da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo) em iniciativas nas áreas da ciência, tecnologia e inovação. O evento teve testagem rápida de Covid-19 em todos os participantes. Na foto, profissionais da saude processam os testes rapidos. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um levantamento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) divulgado nesta quarta (11) aponta que a taxa de exames com resultado positivo para Covid segue acima de 30% na população acima de 40 anos há pelo menos oito semanas no Brasil.

De acordo com a análise, que incluiu mais de 1,6 milhão de testes realizados pelos laboratórios privados HLAGyn, DB Molecular, rede Dasa e Sabin, a positividade chega a 37% em algumas faixas, como nos idosos acima de 70 anos. Isto significa que cerca de 4 a cada 10 exames nesta faixa etária têm o diagnóstico de Covid confirmado.

A tendência, porém, é de queda nas próximas semanas, segundo informou o pesquisador Anderson Brito, do ITpS. Brito afirma que o pico de positividade ocorreu na metade de dezembro, quando os exames positivos chegaram a mais da metade do total de testes realizados.

Nas crianças de zero a 4 anos, contudo, a positividade segue baixa, com 10%.

A análise do laboratório considerou ainda as possíveis variantes do vírus em circulação no país. Segundo a pesquisa, as sequências disponíveis no banco de dados Gisaid, depositados por instituições como Instituto Butantan e Fiocruz, em SP e no RJ, respectivamente, confirmam que a variante dominante continua sendo a BQ.1, que chegou ao país em meados de outubro.

Contudo, a mesma análise verificou um aumento na frequência da linhagem XBB a partir de meados de novembro. A linhagem inclui a nova variante XBB.1.5, classificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como a mais transmissível até agora. O primeiro caso da XBB.1.5 confirmado foi identificado em uma paciente de Indaiatuba (SP) no último dia 5.

Para Brito, o aumento de casos em lugares como Estados Unidos, Europa e países asiáticos serve como um alerta para o Brasil.

O virologista explica que passaram a incluir nos relatórios produzidos pelo ITpS a observação de casos de outros países justamente para observar tendências da Covid. "Os EUA são hoje um ponto importante de troca aérea com o Brasil, e por lá esta variante [XBB.1.5] já está se tornando dominante. Isso serve para ficarmos atentos e tentar entender o que a sua disseminação pode significar por aqui", disse.

Segundo Brito, não é ainda possível saber ao certo como ela vai se comportar aqui, mas é possível, considerando o padrão dos últimos anos, que os casos no país continuem nas próximas semanas com uma positividade ainda elevada até voltar a diminuir. "Acompanhando semana a semana a positividade vemos que, por mais que haja uma queda [da positividade], ela ainda está em um patamar muito elevado, então o esperado é que demore de quatro a cinco semanas para cair de vez, e aí podemos ter mais oito semanas com redução de casos e subida novamente. É como um ciclo", explica.

A análise apontou ainda para uma alta incidência de Covid nos diferentes estados e regiões do país. Segundo o ITpS, a taxa de casos da doença segue alta no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com quase dois terços das macrorregiões de saúde com tendência de alta até a semana de 24 de dezembro. Na semana de 31 de dezembro, porém, o índice caiu para 42,3%.

Considerando os estados com a maior incidência de casos nos últimos 30 dias, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Roraima apresentaram incidência acima de 200 casos por 100 mil habitantes.

Já o último boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado no dia 5 de janeiro, apontou para uma queda de Srag (síndrome respiratória aguda grave) em adultos em todo o país, comparados com a última semana epidemiológica. Mesmo assim, a tendência de crescimento segue em pelo menos 11 estados.