Possível vitória de candidato socialista gera medo em região de Lima

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Moradores manifestam apoio a Keiko Fujimori em Lima

Uma possível vitória do esquerdista Pedro Castillo gera medo entre moradores do distrito de Miraflores, um dos diversos setores turísticos e de classe média de Lima, onde eles torcem para que Keiko Fujimori vire o jogo na lenta apuração das eleições presidenciais no Peru.

"Estou preocupado com a liderança de Castillo. Não estou preocupado com o tempo que levará até o vencedor ser conhecido. Se Keiko ganhar, fico feliz", disse à AFP o ator Sergio Arriátegui, 53, em frente ao parque de Miraflores, no sul da capital peruana. "Não somos keikistas, mas somos pessoas que amam o seu país, e com Keiko não iremos retroceder, não iremos mudar o sistema econômico”, afirmou.

Quatro dias após a votação, os peruanos ainda não sabem quem será o presidente que terá o desafio de tirá-los das convulsões políticas que levaram o Peru a ter três presidentes em cinco dias em novembro passado. Foi em Lima que Keiko Fujimori teve mais votos, segundo a contagem oficial.

Para alguns moradores de Miraflores, a demora na apuração não é preocupante, e sim uma vitória de Castillo, um professor de escola rural de Cajamarca (norte) que promete mudanças. “Não tenho medo, temo pelo país, pelas pessoas, pelas famílias. Milhares de famílias se esforçaram para ter algo, então têm medo de perdê-lo", explicou o jornalista Hugo Chauca, enquanto tomava um café com um amigo.

- 'Estamos com medo' -

Miraflores é um distrito de classe média com 150.000 habitantes, repleto de hotéis, restaurantes, cassinos e casas de câmbio. Antes da pandemia, era muito visitado por turistas. Possui cinco quilômetros de calçadões voltados para o Pacífico e parece uma fortaleza vista do mar, por se erguer sobre falésias de 80 metros de altura. O peruano Mario Vargas Llosa, ganhador do Nobel, ambientou seus primeiros contos e romances em Miraflores, onde morou.

A votação de domingo colocou em evidência não apenas a divisão política no país, mas também a lacuna entre Lima e o "Peru profundo" - as províncias andinas, relegadas por séculos e duramente atingidas pela recessão econômica causada pela pandemia.

“Todos dizem não, não querem que ele ganhe. Mas o problema é que na província ele ganhou”, assinalou Ángel Torres enquanto caminhava pela avenida José Pardo. “Trabalho em uma empresa privada e meu chefe me disse: 'Esse homem entra e nós fechamos.' Percebe? Estamos com medo."

- 'Nenhuma posição' -

Apoiadores de ambos os candidatos se manifestaram nas ruas, mas, apesar da tensão, as atividades de trabalho e negócios não foram interrompidas. "Não concordo com nenhuma das duas posições. Além de ter muito medo do comunismo, também sei que o partido de Keiko seria basicamente como entrar no que é um narcoestado", disse o chef Alonso Almeida, 29.

Os pedidos de Keiko Fujimori de anulação e revisão de milhares de votos além de denunciarem "indícios de fraude", atrasam o fim da apuração. Ao mesmo tempo, soma-se contra ela um pedido de prisão preventiva da promotoria por suspeita de violação das regras da sua liberdade condicional.

Castillo lidera a disputa por 70 mil votos, mas o resultado final da apuração é incerto.

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