Marina Silva toma posse no Meio Ambiente e diz que 'boiadas passaram' onde deveria haver proteção ambiental

Quatorze anos após sua primeira gestão e de um período de relação conflituosa entre ambientalistas e o governo Bolsonaro, Marina Silva está de volta ao Ministério do Meio Ambiente. Ela tomou posse nesta quarta-feira em uma das cerimônias mais concorridas dos novos ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Ao discursar no evento, ela criticou as medidas adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro e que "boiadas passaram em lugares onde deveriam passar apenas políticas de proteção ambiental".

– O que vimos nesses anos foi um completo desrespeito ao patrimônio brasileiro. Nossas unidades de conservação foram atacadas por pessoas que se sentiam autorizadas pelo alto escalão da República. Boiadas passaram em lugares onde deveriam passar apenas politicas de protecao ambiental.

Evangélica da Assembleia de Deus, Marina iniciou o seu discurso agradecendo a Deus. Em seguida, fez menção a Lula e aos povos originários.

Uma longa fila se formou e deu a volta no prédio que é a sede do Executivo antes de a cerimônia começar. Entre os presentes estão a primeira-dama, a socióloga Rosângela Silva, a Janja, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e os ministros Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento), Márcio França (Portos), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Carlos Fávaro (Agricultura), entre outros integrantes do novo governo.

A cerimônia começou com uma banda de música clássica que tocou o Hino Nacional em ritmos populares da música brasileira, como o forró. Em determinado trecho, alterou uma parte da letra em um aceno para o público feminino: “As filhas deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil”.

Na sequência, a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, foi ao microfone e inaugurou o evento.

— Tenho muito orgulho de compor o ministério do presidente Lula com essa mulher de garra. Nós somos 11 mulheres nesse ministério. Nunca houve tantas mulheres no comando de pastas – afirmou a ministra.

Em seguida, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, também discursou. Segundo ele, o mundo inteiro "deseja" que o Brasil se torne referência na questão ambiental.

– Marina, pode contar conosco com o melhor empenho de cada um de nós ministros. A Casa Civil se expressará todos os dias garantindo que o meio ambiente seja visto de forma transversal em todos os ministérios da República.

Além de vários ministros e integrantes do segundo escalão do governo, Angélica Mendes, neta de Chico Mendes, o ativista ambiental assassinado nos anos 1988.

Marina volta ao posto anos após ter comandado a pasta durante os dois governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2008.

Além deles, participam do evento a nova presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana; e o ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, que foi demitido de forma polêmica pelo governo de Jair Bolsonaro, após criticar a tentativa da antiga gestão de omitir dados de desmatamento ambiental.

Além do primeiro escalão do governo, participam do evento a nova presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana; o ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, que foi demitido de forma polêmica pelo governo de Jair Bolsonaro, ao criticar o negacionismo científico da antiga gestão.

Perfil

Aos 64, Marina Silva é ambientalista e historiadora formada pela Universidade Federal do Acre. Antes de ingressar na política, viveu em um convento por dois anos, onde aprendeu a ler e escrever, e foi professora da rede estadual.

Nascida em um seringal perto de Rio Branco, ela organizou movimentos sindicais e em defesa dos mais pobres. Foi vereadora em Rio Branco e deputada estadual no Acre. Em 1994, se elegeu senadora pelo primeiro de dois mandatos, aos 36 anos. O último se encerrou em 2010.

Suas bandeiras políticas incluem o combate à discriminação e ao desmatamento, a defesa de direitos dos indígenas e o fim da reeleição, por exemplo.

Candidata à Presidência em 2014 e 2018, ele recebeu 22 milhões de votos no primeiro, e 1 milhão, no segundo A reaproximação com o PT se deu neste ano, quando Marina anunciou apoio à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Marina foi cotada para vice de Haddad, mas preferiu disputar uma vaga na Câmara. Eleita deputada federal por São Paulo, com 237 mil votos, ajudou a Rede a ultrapassar a cláusula de barreira, que exige um mínimo necessário de votos para manter o partido no parlamento.

Durante a transição, a ex-senadora foi escalada por Lula para compor a coordenação do grupo técnico dedicado ao Meio Ambiente ao lado de outros dois ex-ministros, os ambientalistas Carlos Minc e Izabella Teixeira.