Posse de Padilha é marcada por vaias a Lira e exaltação de Dilma; vídeo

O médico Alexandre Padilha, de 51 anos, tomou posse no começo da tarde desta segunda-feira como novo ministro das Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política com o Congresso Nacional, em uma cerimônia marcada por vaias ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e pela exaltação da presidente Dilma Rousseff (PT). Em seu discurso, Padilha disse que no novo governo ninguém vai falar em "metralhada" contra opositores.

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— Esse ministério é o ministério do diálogo. Esse governo, liderado pelo presidente Lula e pelo vice-presidente Alckmin, é o governo do diálogo. Não existe aqui alguém que vai falar de ‘metralhada’ contra a oposição. Essa época acabou — disse o novo ministro.

Apesar de ter sido anunciado pelo locutor do evento, realizado no salão nobre do Palácio do Planalto, o presidente da Câmara não compareceu. No momento em que seu nome foi anunciado, houve vaia de uma parte da plateia. Em seu discurso, Padilha ainda disse que Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ligou para justificar a ausência. O ministro, porém, não falou nada sobre Lira.

Dilma teve o nome gritado pela plateia quando foi anunciada. Durante o seu discurso, Padilha também falou da sua ex-chefe.

— A sua presença aqui neste ato, como a senhora foi recebida, é uma reparação histórica das injustiças que a senhora sofreu — disse o ministro, sendo interrompido pelo público que gritou o nome de Dilma novamente.

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Padilha também elogiou o ex-presidente José Sarney (MDB), que estava sentado no palco ao lado de Dilma e dos líderes do governo Jaques Wagner (Senado), José Guimarães (Câmara) e Randolfe Rodrigues (Congresso).

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O ministro lembrou que Sarney era presidente do Senado na época sua primeira passagem pela pasta, no segundo governo Lula.

— O presidente Sarney foi quase como um professor para mim sobre como caminhar pelo Senado. Aprendi muito com senhor. O senhor tem sido um conselheiro.

Padilha falou ainda sobre o atual presidente do Senado:

— Vou estabelecer a mesma relação com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que avisou que não poderia estar aqui.

O ministro disse também que caberá à sua pasta recuperar as relações institucionais no país e se comprometeu a não levar em consideração a coloração partidária de governadores e prefeitos.

Como exemplo, Padilha disse que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lhe telefonou para dizer que não poderia comparecer à sua posse. De acordo com o ministro das Relações Institucionais, Tarcísio, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, alegou que teria que dar posse aos secretários do estado.

— Ele ligou para reafirmar da parte dele, e da minha parte também, que teremos as melhores relações independentemente de partido.

Antes da posse, o novo ministro, que é filiado ao PT, participou ao longo da semana passada das negociações com os partidos que levaram à formação do ministério. Legendas de centro e centro-direita, MDB, PSD e União Brasil ficaram com três pastas cada um. O objetivo é garantir governabilidade com maioria no Congresso para aprovar os projetos do governo.

Além de ministro das Relações Institucionais, Padilha ocupou também a pasta da Saúde no primeiro governo de Dilma Rousseff. A grande marca de sua passagem pelo ministério foi a implantação do programa Mais Médicos, que trazia profissionais de outros países para atuar no país.

Em 2014, Padilha concorreu ao governo de São Paulo e ficou em terceiro lugar. O médico também foi secretário das Relações Governamentais da prefeitura de São Paulo e secretário de Saúde na gestão de Fernando Haddad. Em 2018, se elegeu deputado federal, mandato que renovou na disputa de 2022.