'Não vejo possibilidade de anulações de condenações da Lava Jato', diz Moro

Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo
Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo

O ministro da Justiça e da Segurança Pública disse, nessa segunda-feira (14), em entrevista ao Estado de S.Paulo, que não vê a possibilidade de anulação em série de julgamentos e condenações na Operação Lava-Jato. Na próxima quinta-feira (17), o Supremo Tribunal (STF) discute a constitucionalidade da prisão de condenados em segunda instância.

Quando questionado se estaria preocupado com as possíveis anulações, ele negou. “Qualquer decisão do Supremo tem que ser respeitada. A instituição tem que ser respeitada (...) Não vejo isso no horizonte. Não vejo a possibilidade de isso acontecer, anulações…”, respondeu o ministro.

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Moro também voltou a negar as acusações de parcialidade em sua atuação. "Existe uma invasão criminosa de aparelhos celulares dos procuradores [da força-tarefa da Lava Jato], supostas mensagens cuja autenticidade não foi verificada. Tirando todo o sensacionalismo, no que eu vejo que foi divulgado não existe nada que justifique a afirmação de afetação da imparcialidade da minha parte”, avaliou.

Sobre a chance do ex-presidente Lula ser solto, Moro desconversou. "Pessoas poderosas cometiam crimes e nunca eram responsabilizadas por esse tipo de delito. O Brasil avançou muito e até exportou, não só provas relativas a crimes de corrupção como esse modelo, que foi admirado por países vizinhos e distantes. O enfrentamento da corrupção fortalece a economia”. “Uma democracia menos corrupta é uma democracia de maior qualidade. Isso é uma tarefa de todos”, analisou o ministro.

Em defesa da Lava Jato, Moro rechaçou um desequilíbrio nos julgamentos da Lava Jato. “Para além do sensacionalismo, é importante ver os dados objetivos. Existe um índice razoável de absolvições, em torno de 21%. É um porcentual comum em toda vara criminal. Poderíamos ir além: prisões preventivas e cautelares que foram indeferidas. Sem falar casos que o próprio Tribunal Regional Federal elevou as penas, caso do ex-presidente [Lula, no caso triplex do Guarujá]".