Possíveis candidatos em 2022 terão 'vitrine' na CPI da Covid

Redação Notícias
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Vista generaal del pleno del Senado que votó suspender a la presidenta Dilma Rousseff y someterla a juicio político, en Brasilia, jueves 12 de mayo de 2016.  (AP Foto/Eraldo Peres)
Não seria a primeira vez que uma CPI proporciona grande repercussão no Brasil, servindo de palanque para os parlamentares (Foto: AP Foto/Eraldo Peres)
  • A CPI da Covid pode funcionar como uma vitrine para parlamentares que são possíveis candidatos nas eleições do ano que vem

  • Dos 11 senadores titulares indicados por blocos partidários, seis podem concorrer a governos estaduais e dois devem disputar à reeleição ao Senado em 2022

  • Não seria a primeira vez que uma CPI proporciona grande repercussão no Brasil, servindo de palanque para os parlamentares

A CPI da Covid, criada nesta semana no Senado, pode funcionar como uma vitrine para parlamentares que são possíveis candidatos nas eleições do ano que vem.

Dos 11 senadores titulares indicados por blocos partidários para ocuparem as cadeiras da Comissão Parlamentar de Inquérito, seis podem concorrer a governos estaduais e dois devem disputar à reeleição ao Senado em 2022.

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A CPI da Covid irá apurar eventuais omissões do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no combate à pandemia e a aplicação de verbas federais repassadas aos estados. A criação da comissão foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Em um momento de pandemia, a CPI tem um cenário favorável para ampliar o alcance político de seus membos. Isso porque, nas sessões da comissão, eles terão um espaço para demonstrar trabalho, defender aliados e atacar potenciais adversários nos estados.

A comissão tem 11 membros titulares, de acordo com a proporcionalidade partidária. Na sessão de terça-feira (13), quando foi lido o requerimento de instalação da CPI no plenário, ficou definida a seguinte divisão:

  • Bloco MDB, PP e Republicanos: três titulares

  • Bloco Podemos, PSDB e PSL: dois titulares

  • Partido PSD: dois titulares

  • Bloco DEM, PL e PSC: dois titulares

  • Bloco PT e PROS: um titular

  • Bloco PDT, CIDADANIA, REDE e PSB: um titular

Palanque antecipado para 2022

Não seria a primeira vez que uma CPI proporciona grande repercussão no Brasil, servindo de palanque para os parlamentares. 

Em 2005, a CPI dos Correios alavancou nomes como o do atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM-RJ), o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM-BA), e Gustavo Fruet (PDT-PR), ex-prefeito de Curitiba.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, na CPI da Covid, o principal membro do campo governista será o senador Ciro Nogueira (PP), que comandará os apoiadores de Bolsonaro na comissão. Nogueira cumpre mandato e é pré-candidato ao Governo do Piauí no próximo ano.

Outro membro governista da CPI, que já anunciou publicamente que pretende concorrer à eleição de 2022, é o senador Jorginho Mello (PL), pré-candidato ao Governo de Santa Catarina.

Também governistas, os senadores Eduardo Girão (Podemos) e Marcos Rogério (DEM) podem concorrer, respectivamente, aos governos do Ceará e de Rondônia em 2022.

Dois nomes podem disputar governos estaduais

Dentre os sete nomes de partidos independentes ou de oposição que vão compor a CPI, dois podem disputar os governos estaduais e dois devem concorrer à reeleição ao Senado no próximo ano.

Segundo a Folha, um deles é Eduardo Braga (MDB), senador em meio de mandato pelo MDB que é pré-candidato ao Governo do Amazonas no campo de oposição ao do governador Wilson Lima (PSC), que é aliado de Bolsonaro.

Lima foi alvo de uma operação da Polícia Federal após a compra de respiradores considerados inadequados e com suspeita de sobrepreço por meio de uma adega importadora de vinhos de Manaus.

Na oposição frontal a Bolsonaro, o senador Randolfe Rodrigues está em meio de mandato e pode ser candidato ao Governo do Amapá.

Desde o início da pandemia, ele tem evitado falar sobre a corrida eleitoral, mas aliados afirmam que o seu nome é o mais forte da oposição para enfrentar o grupo do governador Waldez Góes (PDT).

Un senador partidario del gobierno discute con el presidente del Senado de Brasil, Renan Calheiros (centro), durante una sesión sobre el proceso de juicio político a la presidenta del país, Dilma Rousseff, en el Senado Federal, en Brasilia, Brasil, el 9 de mayo de 2016. El presidente interino de la Cámara de Diputados anuló la votación del mes pasado sobre el juicio político a la presidenta, retrasando y complicando el proceso que se esperaba terminase con la suspensión de Rousseff más tarde esta semana. (Foto AP/Eraldo Peres)
O senador Renan Calheiros (MDB) não será candidato no próximo ano, mas a CPI será a grande oportunidade para ele retomar parte do prestígio que já teve nacionalmente, sendo presidente do Senado por três vezes (Foto AP/Eraldo Peres)

Retomada de prestígio 

O senador Renan Calheiros (MDB) não será candidato no próximo ano, mas a CPI será a grande oportunidade para ele retomar parte do prestígio que já teve nacionalmente, sendo presidente do Senado por três vezes.

Esta retomada é crucial para manutenção do poder de seu grupo político em Alagoas, onde o seu filho, o governador Renan Filho (MDB), encerra seu segundo mandato e ainda não tem um candidato natural à sucessão.

A visibilidade também serviria como um contraponto ao avanço do deputado federal Arthur Lira (PP), que ganhou espaço em Alagoas após ter sido eleito presidente da Câmara dos Deputados.

A CPI ainda deve ter nomes como Humberto Costa (PT-PE), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Otto Alencar (PSD-BA) e Omar Aziz (PSD-AM), que foram indicados pelos blocos partidários. Os dois últimos estão em fim de mandato e devem disputar a reeleição para o Senado no próximo ano.

Senadores podem dar trabalho a Bolsonaro

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), solicitou aos líderes, nesta quarta-feira (14), que indiquem os membros da CPI. De acordo com ele, os líderes têm 15 dias para escolher os nomes em definitivo.

No entanto, os nomes que serão indicados pelos blocos partidários para ocupar as 11 cadeiras da CPI da Covid-19 no Senado já começaram a aparecer.

Entre os que apoiam o governo estão os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP; o líder do DEM no Senado, Marcos Rogério (RO); o senador Jorginho Mello (PL-SC) e o senador Marcos do Val (Podemos-ES). Já na oposição estão Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Os integrantes do grupo independente costumam votar junto com o governo em diversas pautas, mas são críticos à administração e ao combate à pandemia da gestão federal em diversos pontos. Por este motivo, podem "dar trabalho" a Bolsonaro.

Independentes:

  • Renan Calheiros (MDB);

  • Eduardo Braga (MDB);

  • Omaz Aziz (PSD);

  • Otto Alencar (PSD);

  • Tasso Jereissati (PSDB).

Contrários ao governo:

  • Randolfe Rodrigues (Rede);

  • Humberto Costa (PT).

A favor do governo:

  • Eduardo Girão (Podemos);

  • Ciro Nogueira (PP);

  • Jorginho Mello (PL);

  • Marcos Rogério (DEM).

Governadores e prefeitos

Rodrigo Pacheco determinou nesta terça-feira a fusão de dois pedidos de CPIs da Covid-19 para investigar tanto a gestão federal no combate à pandemia quanto o repasse de recursos federais na área da saúde aos entes federativos, ao ler o requerimento de criação da comissão de inquérito.

A decisão configura um meio termo entre o escopo inicial proposto pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, de apurar a gestão federal na saúde frente à pandemia de Covid-19, e o que desejavam governistas, que pretendiam ampliar seu foco e apurar também a conduta de governadores e prefeitos.

Depois da decisão de Barroso, o presidente Jair Bolsonaro reclamou, em suas redes sociais, que a CPI “não poderá investigar nenhum governador, que porventura tenha desviado recursos federais do combate à pandemia”. Ele ainda subiu o tom e atacou Barroso.