Possível saída de Moro pode ser resultado de articulações políticas de Bolsonaro

Ana Paula Ramos
·3 minuto de leitura
Brazil's President Jair Bolsonaro and Brazil's Justice Minister Sergio Moro attend a ceremony at Planalto Palace in Brasilia, Brazil June 17, 2019. REUTERS/Adriano Machado
Possível saída de Moro do governo estaria atrelada à troca de comando da Polícia Federal. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A possibilidade de demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro, do governo de Jair Bolsonaro começou a ser ventilada após uma reunião intensa na manhã desta quinta-feira (23), na qual Bolsonaro anunciou a troca no comando da Polícia Federal.

Muito irritado, Moro disse que se Maurício Valeixo deixar a diretoria-geral da Polícia Federal, ele sairá junto. Alguns jornais já dão como certa a saída do ex-juiz da Operação Lava Jato. No entanto, a saída de Moro poderia ser sinal de apoio ao governador do DF, Ibaneis Rocha, ou para abrir espaço para abrigar novos aliados do Centrão.

Leia também

Diante da reação de Moro de deixar o barco do governo, Bolsonaro tenta reverter a decisão. Os ministros Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) foram escalados para convencer o ministro a recuar da decisão. Segundo aliados de Moro, ele já tem se mostrado, nos bastidores, insatisfeito com o governo.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Valeixo foi escolhido por ele para o cargo e é de sua confiança. O atual diretor-geral atuou na Operação Lava Jato na PF do Paraná.

TROCA NO COMANDO DA PF

Bolsonaro alega que quer ter controle sobre a atuação da polícia. No entanto, a troca no comando da Polícia Federal pode ser fruto de uma articulação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que se reuniu na segunda-feira (20) com Bolsonaro, acompanhado do secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres.

Na quarta-feira (22), Ibaneis participou da coletiva sobre ações de enfrentamento à crise causada pelo coronavírus, ao lado de ministros do governo. A presença de Ibaneis foi vista como um gesto de apoio ao presidente, que, nos últimos meses, tem travado embates com os governadores por conta do combate à Covid-19 e estava se isolando politicamente.

O apoio não seria de graça.

As críticas do governador e do secretário de Segurança do Distrito Federal a Moro são antigas e envolvem a decisão do ministro de manter na penitenciária federal da capital dez lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital), entre elas, o líder histórico da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

O secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, que é policial federal, estaria pleiteando o cargo de comando da corporação. Muito próximo do ministro Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência da República) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Torres teve o nome vetado pelo ministro Sergio Moro.

CENTRÃO

Em meio a encontros do presidente com líderes do Centrão, há quem também interprete que a troca no comando da Polícia Federal, e até no Ministério da Justiça, poderia abrigar aliados, como o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que sonha em assumir um eventual Ministério da Segurança Pública; poderia agradar líderes partidários envolvidos na Lava Jato; e poderia até se livrar de um ministro muito popular, que ocasionalmente ofusca o chefe.