‘Posso ferrar a vida do Jair’, disse ex-cunhada que acusa presidente de envolvimento em ‘rachadinha’

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Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
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  • Áudio indicam que Jair Bolsonaro mantinha a prática de rachadinha no gabinete quando era deputado federal

  • Ex-cunhado teria sido demitido por Bolsonaro por não devolver quantia combinada entre eles

  • Andrea diz ainda que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, não foi o único a recolher os salários dos funcionários do atual senador

A ex-cunhada de Jair Bolsonaro (sem partido), a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, disse que o presidente demitiu seu irmão, André Siqueira Valle, porque ele se recusava a entregar a maior parte de seu salário ao chefe do Executivo, que na época era deputado federal. É o que mostram áudios de Andrea obtidos pelo site “UOL”.

— Não é pouca coisa que eu sei, não. É muita coisa que eu posso ferrar a vida do Flávio, posso ferrar a vida do Jair, posso ferrar a vida da Cristina. Entendeu? É por isso que eles têm medo aí e manda eu ficar quietinha — diz Andrea em um dos áudios.

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Nas gravações, a fisiculturista diz ainda que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, não foi o único a recolher os salários dos funcionários do atual senador. Ela afirma que a maior parte da remuneração que recebia do gabinete do filho mais velho do presidente era recolhida pelo coronel da reserva do Exército Guilherme dos Santos Hudson.

Assim como Queiroz, Flávio foi denunciado pelo Ministério Público por um suposto esquema de “rachadinha” — apropriação de parte do salário de funcionários — em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). De acordo com o áudio de Andrea, a prática também seria feita por Bolsonaro na Câmara. O presidente foi deputado federal entre 1991 e 2018.

Andrea foi assessora de Bolsonaro por 8 anos

Andrea e André são irmãos de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro. Andrea foi assessora de Bolsonaro na Câmara entre setembro de 1998 e novembro de 2006. Depois, trabalhou no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (de novembro de 2006 a setembro de 2008) e de Flávio (de agosto de 2008 a agosto de 2018).Já André foi lotado no gabinete de Bolsonaro entre novembro de 2006 e outubro de 2007. Antes, tinha trabalhado como assessor de Carlos de agosto de 2001 a fevereiro de 2005, e de fevereiro de 2006 a novembro do mesmo ano.

— O André dava muito problema, porque o André nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6 mil, André devolvia R$ 2 mil, R$ 3 mil. Foi um tempão assim, até que o Jair pegou e falou: ‘Chega, pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo’ — disse Andrea no áudio obtido pelo “UOL”.

Hudson, tio de Andrea, André e Cristina, foi assessor do então deputado estadual entre junho e agosto de 2018.

— O tio Hudson também já até tirou o corpo fora, porque quem pegava a bolada era ele. Quem me levava e buscava no banco era ele — diz Andrea.

Ao “UOL”, o advogado Frederick Wassef afirmou que os áudios são “narrativas de fatos inverídicos, inexistentes” e que “jamais existiu qualquer esquema de rachadinha” no gabinete de Bolsonaro ou de seus filhos. Ao EXTRA, o advogado da família Bolsonaro afirmou que as acusações têm como motivação a corrida eleitoral à Presidência em 2022.

Denúncias agitam oposição e CPI

Foto: Andressa Anholete/Getty Images
Foto: Andressa Anholete/Getty Images

O PSOL acionou a Procuradoria-Geral da República para que abra uma investigação, segundo o “Jornal Nacional”, da TV Globo. Já o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), quer convocar a ex-cunhada de Bolsonaro para depor, segundo o blog do Camarotti, no G1. O objetivo da convocação é saber se “houve espelhamento do caso das rachadinhas na gestão da pandemia por parte do governo federal”. Em outra frente, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que apresentará pedido de criação de uma CPI da Rachadinha, segundo o jornal “Valor Econômico”.

A revelação dos áudios mobilizou diferentes espectros políticos de oposição ontem no Twitter. Um levantamento da Arquimedes, especializada na análise das plataformas digitais, aponta que as críticas ao presidente somaram 91% das menções sobre o tema, enquanto a base bolsonarista representou apenas 9% delas.

Políticos e militantes bolsonaristas ignoraram as acusações reveladas pelo “Uol” e voltaram a defender a aprovação do voto impresso.

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