Postos do Rio deverão informar preços originais de combustível com igual destaque aos promocionais

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Quem nunca resolveu abastecer em um posto pelo preço atrativo mas, depois de encher o tanque, viu que a conta ficou bem mais cara do que o esperado? Isso ocorre porque muitos estabelecimentos dão destaque a valores promocionais, condicionados a clubes de fidelidade ou cadastro em aplicativos, sem deixar claras as condições para os consumidores. Para evitar essa espécie de propaganda enganosa, a Prefeitura do Rio decidiu determinar que os postos passem a veicular anúncios dos preços originais com o mesmo destaque dos valores de promoção.

A lei nº 6.985, publicada no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro nesta terça-feira (06), estabelece que "a divulgação dos preços promocionais poderá constar na mesma peça de divulgação dos preços reais". No entanto, os valores devem ser apresentados em igual tamanho. Os estabelecimentos que desobedecerem estarão sujeitos à multa de R$ 2 mil.

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Ainda segundo a norma, que já está em vigor, o texto com as regras para a obtenção do desconto no preço dos combustíveis deve ter no mínimo 50% do tamanho do texto dos valores anunciados.

A partir desta terça-feira (6), os preços médios de venda de gasolina e diesel da Petrobras para as distribuidoras passarão a ser de R$ 2,69 e R$ 2,81 por litro. O aumento equivale a reajustes médios de 6,3% e de 3,7%, respectivamente. Essa é a primeira elevação no valor dos combustíveis desde que o general Joaquim Silva e Luna assumiu o controle da estatal.

O repasse dos reajustes nas refinarias aos consumidores finais nos postos depende de fatores como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de etanol anidro e biodiesel, entre outros. No entanto, não deixa de ser uma possibilidade.

O alto dos preço dos combustíveis tem impactado diretamente os ganhos dos motoristas de aplicativo. Luan Almeida, de 30 anos, que já trabalha há quatro anos no ramo, conta que a situação agora está pior do que no início da pandemia. No ano passado, quando muitos condutores estavam com receio de sair de casa, os faturamentos eram satisfatórios por causa da alta demanda. Agora, com mais carros nas ruas, a concorrência ficou maior e os ganhos diminuíram. Além disso, com o aumento do GNV, seu gasto diário de combustível saltou de R$ 60 para R$ 90.

— A Uber não atualiza a tarifa desde quando eu entrei. E ainda criaram o 'Uber Promo', em que cada corrida chega a ficar em torno de R$ 5 mais barata. Fora o combustível que é um gasto obrigatório, ainda tenho seguro do carro, manutenção, a parcela do financiamento, em torno de R$ 1.600. Então, para conseguir pagar as contas, estou tendo que trabalhar 12 horas por dia, seis dias na semana. Quero tentar empreender de alguma forma, porque seguir desse jeito não está dando — conta.

Joice Travassos, de 56 anos, que trabaha como motorista há mais de cinco anos, reclama estar recebendo menos dos aplicativos, enquanto os combustíveis estão "aumentando tremendamente". Mesmo assim, não pensa em desistir do volante, porque gosta de dirigir.

— Eu costumo trabalhar de oito a dez horas por dia. Antes, conseguia fazer em torno de R$ 250, com R$ 40 de GNV. Mas outro dia, que me marcou muito, trabalhei mais de nove horas, fiz duas corridas, e tirei R$ 193, pagando R$ 70 de gás, sem descontar as outras despesas — lembra a motorista: — Tive que reduzir muito meus gastos em casa e não almoço na rua. Eu espero que os aplicativos adequem as tarifas à realidade.

A 99 diz que os repasses aos motoristas parceiros são feitos de acordo com distância percorrida e tempo de deslocamento, e que o valor das tarifas não sofreu alteração recentemente. Também informou que observou no último ano crescimento de 54% nas viagens de passageiros da classe C, que passaram a usar mais apps para evitar aglomerações em outros meios por conta da pandemia. Ainda segundo a empresa, mais pessoas das classes A/B voltaram a usar o app por terem deixado de fazer home-office em tempo integral.

A Uber respondeu que, com menor demanda, precisou se reinventar e criar mais oportunidades de ganhos. Por isso, investiu no "UberX Promo, uma categoria que oferece viagens a preços 15% a 20% mais baixos e que só opera em horários em que os parceiros estão precisando esperar mais entre uma viagem de UberX e outra". No entanto, ressaltou que os parceiros têm liberdade para decidir se querem ou não aceitar tais viagens.

Com relação ao alto custo dos combustíveis, a Uber disse que dispõe de um programa de vantagens para motoristas (Uber Pro), em parceria com a rede Ipiranga para dar cashback de 4% em gastos pelo app Abastece Aí. Além de receber de volta parte do valor gasto, o parceiro ainda acumula pontos que pode usar, por exemplo, em trocas de óleo.

O programa ainda concede "descontos em exames e consultas na rede particular (em parceria com a Vale Saúde Sempre), cursos online de inglês de graça (em parceria com o app Rosetta Stone) e descontos em cursos online de graduação (em parceria com o Grupo Kroton)".

Já o aplicativo inDriver permite que motorista e passageiro negociem o preço de cada viagem de modo a equilibrar a relação econômico-financeiro entre ambas as partes, apesar de estabelecer um preço mínimo. Novos motoristas ainda podem trabalhar no app por seis meses sem repassar a tarifa de 9,5% para a empresa de tecnologia.

— Com a pandemia sentimos um crescimento relevante de todos os nossos indicadores devido a busca de um ambiente mais seguro de locomoção. Esse aumento de demanda ocorreu, não apenas no transporte de passageiros, mas também em todos os serviços ofertados pelo app — revelou Anastácia Vilas Boas, Gerente de Operações e Marketing da inDriver no Brasil.

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