Posts de Marquezine e de irmã de Neymar na Rússia podem violar regras da Fifa

Bruna Marquezine durante evento. Foto: Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Bruna Marquezine e Rafaella Santos, ambas de 22 anos, chegaram à Rússia provocando polêmica. Isso porque a namorada e a irmã do craque Neymar publicaram nas redes sociais fotos e vídeos promovendo a marca C&A, o que pode ser considerado uma violação às regras da Fifa.

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Marquezine se limitou a mostrar o sutiã amarelo que escolheu para torcer para o Brasil com a hashtag @cea_brasil, enquanto Rafaella postou imagens falando da parceria com a marca, que está montando todos os “looks” usados por ela na Copa. Em uma das fotos ela aparece inclusive com o que parece ser a credencial para acompanhar o jogo.

Pelas regras da Fifa, “empresas que não são parceiras ou patrocinadoras do evento não podem promover atividades publicitárias que possam ser relacionadas ao evento ou a Fifa”. Isso poderia incluir, por exemplo, marketing dentro ou nos arredores dos estádios.

A C&A chegou a compartilhar em seu Instagram uma foto de Rafaella na Rússia, mas apagou durante a tarde. Procurada, a marca afirmou, em nota, que “Bruna Marquezine e Rafaella Santos são nossas parceiras, e que a empresa preza pela observância da ética e do cumprimento das determinações da Fifa em relação à Copa”.

(foto: Reprodução/Instagram)

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Em maio passado, o casal Brumar protagoniziou ensaio apimentado de Dia dos Namorados para a marca. A dupla, que aparece em trajes íntimos, trocando beijos e carícias, e mostrando muita sintonia e intimidade, tem uma linha de underwear.

Na Copa de 2014, realizada no Brasil, torcedores chegaram a ser presos por esse tipo de manifestação. Em Cuiabá, cerca de 300 torcedores nigerianos foram detidos por levarem camisetas, bonés e bandeiras de empresas ao estádio. No Rio, foi uma cervejaria que foi acusada de se beneficiar com um balão do patrocinador oficial do evento.

O próprio Neymar se envolveu em uma polêmica no Mundial passado, após a grife carioca Blue Man mostrar nas redes sociais o atacante trajando uma sunga da marca em um jogo da seleção. A marca foi avisada pela Fifa de que a imagem pertencia à federação e que ela deveria ser apagada.

“Tem muitas empresas que procuram se associar a esse tipo de evento, que pode ser esportivo, musical, mas sem serem patrocinadores, sem gastos. Isso faz com que o público associe a marca ao evento. É pegar uma carona indevida”, afirma José de Araújo Novaes Neto, presidente da Comissão de Propriedade Intelectual e de Direito do Entretenimento, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

A advogada Andressa Bizutti Andrade ressalta, no entanto, que “o conceito é bem amplo, o que deixa o assunto num patamar muito cinza. Não é muito claro o limite, o que pode e o que não pode.” Segundo ela, há leis no Brasil que tentam combater a prática, como a lei de propriedade industrial, de direitos autorais e a de defesa do consumidor.

“Uma marca é sempre protegida por lei. Copa do Mundo, por exemplo, é uma marca, da Fifa. E quando usada sem autorização pode gerar direito de questionamento”, explica. “Tem ainda a questão da publicidade enganosa, abusiva, que pode levar o consumidor a ver uma relação da marca que não existe.”

Os especialistas não comentaram o caso específico de Bruna e Rafaella, mas disseram que, em caso de “marketing de emboscada” na Copa, a propaganda pode ser questionada não apenas pela Fifa, mas também pela CBF e por algum patrocinador que se sinta lesado, podendo inclusive gerar uma ação indenizatória.

A Fifa foi procurada por email na tarde desta sexta, mas ainda não respondeu.

O Brasil jogou nesta sexta-feira com a Costa Rica e ganhou por 2 a 0, ficando em primeiro lugar do Grupo E. O próximo jogo da seleção será na quarta (27) contra a Sérvia.