Posts golpistas cresceram mais de 740% em grupos de extrema-direita no Facebook

Um apoiador do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) em frente a uma tropa de choque da Polícia Militar em Novo Hamburgo (RS), em 1º de novembro de 2022. Apoiadores do presidente bloquearam rodovias no país em protestos contra a vitória de Lula (PT). Desde então, posts golpistas inundaram o Facebook(Foto: AFP via Getty Images / Silvio Avila)
Um apoiador do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) em frente a uma tropa de choque da Polícia Militar em Novo Hamburgo (RS), em 1º de novembro de 2022. Apoiadores do presidente bloquearam rodovias no país em protestos contra a vitória de Lula (PT). Desde então, posts golpistas inundaram o Facebook(Foto: AFP via Getty Images / Silvio Avila)

O número de publicações em tom golpista compartilhadas em grupos de extrema-direita no Facebook cresceu aproximadamente 746% nesta segunda-feira (31) em comparação com o último domingo (30). No dia 31 de outubro, foram feitas 804 postagens, com cerca de 53 mil interações, mencionando "intervenção militar" ou "artigo 142". No último dia 30 de outubro, haviam sido 95 postagens nesse sentido.

As publicações em grupos de apoio ao atual presidente Jair Bolsonaro (PL) indicavam indignação e recusa ao reconhecimento da vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em seu discurso na tarde desta terça-feira (1º), Bolsonaro não mencionou o caráter antidemocrático dos protestos nem condenou diretamente os pedidos de intervenção militar.

Desde o último dia 30 até o pronunciamento do mandatário, haviam sido feitas, ao menos, 1.662 postagens com as palavras-chave mencionadas. O conteúdo alcançou quase 64 mil interações. Os dados foram obtidos a partir de 165 grupos de extrema-direita, monitorados por meio do CrowdTangle, ferramenta da Meta que permite analisar o conteúdo que circula nas redes sociais.

Um dos grupos com as postagens de maior engajamento é o "Direita Brasil". Dentre os compartilhamentos, há pedidos de intervenção militar e incentivos para integrar os bloqueios de caminhoneiros:

Outras publicações afirmam que o golpe somente poderá ocorrer após 72 horas de paralisação:

Isso porque, há boatos alegando que o artigo 142 da Constituição Federal supostamente obrigaria o presidente a se manter em silêncio por 72 horas após o resultado eleitoral para não ser acusado de incitar manifestações da população.

A informação, porém, é falsa. O artigo 142 da CF não trata sobre a suposta regra em nenhum trecho. O texto principal estabelece que "as Forças Armadas [...], são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

Além disso, nenhum outro artigo da Constituição ou da legislação brasileira prevê a regra de 72 horas de silêncio sobre o resultado eleitoral.