Potências europeias e EUA conversam sobre o Irã na quinta-feira

Stuart WILLIAMS
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Três potências europeias e os Estados Unidos devem discutir na quinta-feira para tentar salvar o acordo de 2015 sobre o programa nuclear do Irã, dias antes do prazo estabelecido por Teerã que pode limitar as inspeções de suas instalações nucleares.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, receberá seus homólogos alemães Heiko Maas e o britânico Dominic Raab em Paris, e a eles vão se reunir por videoconferência o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken.

A reunião "será dedicada principalmente ao Irã e à segurança regional no Oriente Médio", disse nesta quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores da França em um comunicado.

Analistas estimam que há uma pequena chance de salvar o acordo nuclear, que sofreu um golpe quase fatal quando o ex-presidente Donald Trump o abandonou unilateralmente em 2018.

O novo presidente, Joe Biden, disse que está disposto a voltar ao pacto e começar a suspender as sanções se Teerã voltar a cumprir o pacto totalmente, uma pré-condição que a República Islâmica rejeita.

Para aumentar ainda mais a pressão, o Irã restringirá algumas inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se os Estados Unidos não suspenderem as sanções impostas desde 2018 até 21 de fevereiro, nos termos de um projeto de lei aprovado em dezembro pelo Parlamento.

Teerã deve garantir "cooperação total e rápida" com a AIEA, insistiu o porta-voz da diplomacia dos EUA, Ned Price, na quarta-feira.

“O Irã teria que retroceder e não tomar outras medidas que impactassem as garantias da AIEA, em relação não só aos Estados Unidos, não só aos aliados ou parceiros na região, mas ao mundo inteiro”, acrescentou.

A chanceler alemã, Angela Merkel, em um telefonema incomum nesta quarta-feira para o presidente iraniano Hassan Rohani, expressou sua "preocupação com o contínuo fracasso do Irã em cumprir suas obrigações no acordo nuclear", informou Berlim.

- "Grave impacto" -

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, vai a Teerã no sábado para conversas com autoridades iranianas com o objetivo de encontrar uma solução para continuar com as inspeções no país.

Grossi alertou que a medida ameaçada por Teerã "teria um sério impacto nas atividades de verificação e controle da AIEA no país".

Ellie Geranmayeh, especialista em Irã no Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), acredita que é "improvável" que a reunião de quinta-feira leve a um gesto político ou econômico significativo para impedir o Irã de prosseguir com as restrições.

"Este prazo está suspenso há meses e, na ausência de alívio econômico, os líderes iranianos se sentem motivados a seguir em frente", disse à AFP.

O Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), assinado em Viena em 2015, visa impedir o Irã de se equipar com armas nucleares, em troca de um alívio gradual das sanções internacionais.

No entanto, o Irã intensificou suas atividades nucleares em resposta às sanções impostas pelos Estados Unidos na chamada política de "pressão máxima" defendida por Trump para enfraquecer o regime iraniano.

"Ao multiplicar suas violações, o Irã põe em risco a possibilidade de um retorno à diplomacia que permita a plena e completa realização dos objetivos do acordo", disseram porta-vozes da França, Alemanha e Reino Unido na semana passada.

- "Curto espaço de tempo" -

Embora a política do Irã seja determinada pelo guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, as eleições presidenciais iranianas em junho adicionam outro fator de pressão.

"Há um curto espaço de tempo para limitar os danos que podem resultar dos próximos passos do Irã", disse Geranmayeh.

Rohani afirmou nesta quarta que o Irã está disposto a negociar com Grossi e negou veementemente que a medida envolva a expulsão dos inspetores.

"A propaganda estrangeira começou, dizendo que estão expulsando os inspetores da AIEA. Por que estão mentindo?", questionou Rohani em declarações transmitidas de seu gabinete para a televisão.

Khamenei enfatizou nesta quarta-feira que o Irã espera uma ação do governo dos EUA para ajudar sua economia.

"A República Islâmica não se contentará com palavras e promessas desta vez", disse ele também em discurso televisivo.

"Desta vez, apenas ação, ação. Se virmos ação do lado oposto, também agiremos."

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