Povos indígenas buscam direitos territoriais mais fortes nas negociações da cúpula sobre a natureza

Primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, discursa na cúpula em Montreal

Por Allison Lampert e Jake Spring

MONTREAL (Reuters) - As negociações sobre um acordo para proteger 30% da Terra até 2030 estão lamentavelmente atrasadas em relação às preocupações dos povos nativos, cujos territórios detêm a maior parte da biodiversidade remanescente no planeta, disseram defensores dos direitos indígenas à Reuters na cúpula da natureza da ONU em Montreal.

A participação dos povos indígenas é vista como crucial para atingir a chamada meta "30 por 30" dentro de um novo acordo ambicioso para deter mais perdas e a degradação da natureza.

Embora os grupos indígenas representem cerca de 5% da população mundial, suas terras protegem cerca de 80% das espécies vegetais e animais remanescentes da Terra, de acordo com o Banco Mundial.

Pelo menos 40% das espécies de plantas remanescentes no mundo estão ameaçadas, e a população global de insetos está diminuindo a uma taxa inédita de até 2% ao ano.

“Esse processo em torno da biodiversidade precisa colocar os povos indígenas no centro”, disse Dinamam Tuxa, advogado do maior grupo indígena brasileiro, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Embora os grupos indígenas em muitos países tenham apenas autoridade ou reconhecimento limitados sobre seus territórios, eles geralmente dependem desses ambientes para sua subsistência --por meio da caça tradicional, pesca e recursos das florestas, como mel, seiva de borracha ou lenha.

Mas muitos desses territórios estão sob pressão crescente graças às fracas leis ambientais em alguns países e à crescente demanda por recursos naturais, como metais e minérios.

Grupos indígenas têm uma série de preocupações sobre as negociações da cúpula da ONU. Enquanto alguns temem que a meta de 30 por 30 possa ser usada para tirar seus territórios sob o pretexto de conservação, outros dizem que a meta de 30% não é suficientemente ambiciosa.

No geral, os grupos concordaram que qualquer acordo da cúpula deve dar mais autoridade aos povos indígenas para decidir o que acontece em suas terras.

(Reportagem de Allison Lampert em Montreal e Jake Spring em São Paulo; Reportagem adicional de Steve Scherer em Ottawa)