Povos indígenas exigem na ONU o direito ao ensino escolar de suas línguas

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Uma mulher indígena aimara passa por um mural em El Alto, Bolívia, em 19 de abril de 2022 (AFP/Aizar RALDES) (Aizar RALDES)

As 6.700 línguas faladas no mundo podem ser preservadas? O Fórum da ONU sobre Questões Indígenas exige que o ensino da língua falada em cada região seja garantido no currículo escolar.

Para isso, os Estados devem assegurar que haja professores que falem e ensinem o idioma da região, assim como nas áreas urbanas, e que seja incentivado o uso da língua das minorias indígenas.

Em seu encontro anual, realizado presencialmente pela primeira vez após dois anos de pandemia, os participantes do fórum - que abriu na segunda-feira e vai até 6 de maio na sede da ONU em Nova York -, vão analisar o "Relatório sobre o uso de línguas indígenas no sistema educacional da América Latina, África do Sul e Rússia".

O relatório aponta uma problemática semelhante nas três regiões: as línguas dominantes ofuscaram as demais, a fim de “assimilá-las na sociedade dominante”, lamentam os autores.

Com 5.000 culturas diferentes, os povos indígenas - que representam 6% da população global - falam a maioria dos 6.700 idiomas vivos do mundo. Embora, em muitos casos, seja apenas um punhado de pessoas que mantêm esses idiomas ativos.

Nenhum continente tem a riqueza de idiomas e comunidades como a América Latina. Com 522 populações indígenas e 420 línguas, é a região com o maior número de famílias linguísticas: 99, em comparação com as entre 10 e 27 na África e no sul da Ásia, segundo o Atlas Sociolinguístico dos Povos Indígenas.

Pelo menos 103 línguas indígenas são faladas em mais de um país, como o quíchua, que é falado na Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador e Peru. Ou o nahuatl, o idioma dos astecas, que ainda é falado em partes do México.

Apesar dessa riqueza linguística, cerca de um quinto dos aborígenes da região não falam mais seu idioma materno. Cerca de 44 povos falam espanhol como sua única língua e 55 falam português.

Dulce María Vásquez, chefe da Comissão Presidencial contra a Discriminação e o Racismo da Guatemala, lembra à AFP que seu governo tem o compromisso de reabilitar a língua itzá, falada por uma dezena de idosos no norte do lago Petén Itzá.

A linguagem, dizem os autores do relatório, permite “preservar a história, os costumes, as tradições, a memória e modos únicos de pensamento, significado e expressão”.

Mas menos de 2% dos indígenas que obtêm um diploma universitário falam sua língua nativa, por isso é difícil garantir seu ensino.

O escasso interesse dos Estados em priorizar as línguas indígenas, a oferta quase nula de escolas indígenas bilíngues e a falta de professores contribuem para agravar o problema, apontam.

af/yow/ap

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