PP e Republicanos recorrem ao TSE e alegam que não foram consultados pelo PL sobre ação que questiona processo eleitoral

O PP e o Republicanos, partidos da coligação de Jair Bolsonaro (PL), entraram com recurso nesta quinta-feira à noite no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a decisão do presidente da Corte, Alexandre de Moraes, que bloqueou o fundo partidário de todas as siglas que integraram a chapa presidencial derrotada nas eleições. A sentença de Moraes foi proferida ontem na ação em que o PL questiona a segurança de parte das urnas usadas, exclusivamente, no segundo turno das eleições. Embora o processo tenha sido formalizado em nome da coligação, Republicanos e PP, após serem atingidos pela determinação de Moraes, entraram com recurso para alegar que não endossam a tese do PL. Na prática, as legendas querem ficar de fora da decisão do ministro e alegam que não foram consultadas pelo PL a respeito da ofensiva judicial. "Ressalta-se que os Presidentes do Progressistas - PP e do Republicanos, partidos coligados com o PL, em momento algum foram consultados pelo Presidente do Partido Liberal - PL e da então Coligação sobre o ajuizamento da presente demanda", diz trecho do pedido protocolado nesta quinta-feira. Os partidos ainda afirmam que não foram convocados para participar das decisões a respeito dos questionamentos feitos sobre o resultado das urnas. Afirmam ainda que, ao fim do processo eleitoral, a coligação deixa de existir. Segundo as legendas, "o processo eleitoral foi encerrado com a proclamação dos eleitos e, portanto, a Coligação foi dissolvida, de forma que o representante da referida Coligação, ainda que legítimo fosse, sequer poderia ter ajuizado a demanda em nome da Coligação, muito menos sem a anuência dos demais partidos coligados. "Veja-se que os partidos Progressistas - PP e Republicanos estão sendo penalizados por uma ação exclusiva do Partido Liberal - PL, mas que usa o nome da Coligação", sustentam. Por fim, as duas siglas concluem: "Dessa forma, não há qualquer fundamento para aplicação de multa por litigância de má-fé aos partidos Progressistas - PP e Republicanos, seja porque não concordaram e nem anuíram com a presente demanda, seja porque não praticaram nenhum ato que ensejasse a má-fé desses partidos", afirmam. Nesta quarta-feira, o ministro Alexandre de Moraes aplicou uma multa de R$ 22,9 milhões à coligação de Bolsonaro por litigância de má-fé em razão do pedido de auditoria das urnas usadas no segundo turno. O ministro ainda incluiu o presidente do PL no inquérito das milícias digitais, e determinou o bloqueio do fundo partidário das legendas que integram a coligação