Pré-candidato republicano ao governo do Michigan é preso por participação no ataque ao Capitólio

Um pré-candidato republicano ao governo do estado americano do Michigan foi preso por acusações relacionadas à invasão do Capitólio, em janeiro do ano passado. Ryan Kelley é acusado de cometer violência contra uma pessoa ou propriedade em uma área restrita, danificar propriedade federal, conduta desordeira e entrar em um local restrito sem aprovação, segundo um representante dos promotores do Distrito de Columbia. Ele é o primeiro candidato, ou pré-candidato, a um cargo majoritário nas eleições de novembro a se ver envolvido nos inquéritos sobre o ataque.

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— Ryan Kelley, de 40 anos, foi preso de manhã por acusações de contravenção relacionadas à invasão de 6 de janeiro no Capitólio. Ele foi preso em Allendale (Michigan), e fará sua aparição inicial na tarde de hoje [quinta-feira] na Corte Distrital do Distrito Oeste do Michigan — disse o porta-voz da procuradoria no Distrito de Columbia, Bill Miller, citado pela CNN.

Um agente do FBI declarou no processo que, durante a invasão do Congresso, Kelley pareceu “filmar a multidão atacando e empurrando os agentes da polícia do Capitólio”. Segundo o documento judicial, ele “usou suas mãos para ajudar outro invasor” que estava derrubando uma barricada, e fez gestos para a multidão indicando que continuassem com a invasão da sede do Legislativo.

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O ataque, realizado por apoiadores de Donald Trump, aconteceu no dia 6 de janeiro, quando o Senado deveria confirmar a vitória de Joe Biden nas urnas, em novembro do ano anterior. Antes da sessão, Trump, em um discurso realizado a cerca de 1 km do Congresso, sugeriu a seus seguidores que fossem até a sede do legislativo protestar contra o resultado das urnas e do colégio eleitoral.

Nesta quinta, Trump classificou a invasão do Capitólio como "o maior movimento da história de nosso país". "O 6 de janeiro não foi simplesmente um protesto, representou o maior movimento da história de nosso país para fazer com que Estados Unidos voltassem a ser grande", afirmou Trump em sua própria rede social, Truth Social.

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O ataque foi um dos mais violentos eventos da História recente dos EUA, que deixou sete mortos e dezenas de feridos. Hoje, mais de 800 pessoas estão sendo processadas pelas autoridades federais — incluindo Kelley — e uma comissão da Câmara dos Deputados, comandada pelos democratas, tenta estabelecer responsablidades pelo ataque.

Os promotores afirmaram, na ordem judicial, que conseguiram identificar Kelley porque ele, no dia da invasão, usava a mesma roupa de um protesto organizado por ele em 2020, contra as medidas de controle da Covid-19 no Michigan — o grupo que apoiou o ato, o Conselho Patriótico Americano, tem entre seus objetivos “recuperar e manter” um governo constitucional dos EUA, país regido por uma Carta Magna elaborada em 1788.

Advogados e representantes da campanha do republicano não comentaram a prisão.

Milícias e pandemia

Kelley, que não aparecia entre os favoritos na disputa pela vaga republicana ao governo estadual, é um corretor de seguros que ganhou evidência nas primeiras semanas da pandemia, quando o Michigan determinou o fechamento de negócios e serviços não essenciais para conter o avanço do vírus.

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Entre os atos por ele liderados, está um realizado em abril de 2020, que contou com a presença de milícias armadas em Lansing, capital do Michigan. As armas pesadas e discursos que incluíam ameaças do lado de fora do Parlamento estadual foram vistos como uma forma de pressionar a governadora democrata, Gretchen Whitmer, a abandonar a política de quarentenas.

Em junho de 2020, novamente reuniu milicianos para tentarem intimidar manifestantes do movimento Vidas Negras Importam (“Black Lives Matter”), que protestavam contra o racismo nos EUA, pouco depois do assassinato de George Floyd, morto por policiais em Minneapolis. Os homens armados também protegeram uma estátua de um soldado confederado em Allendale.

Depois da eleição de 2020, vencida por Joe Biden, Kelley e seus milicianos armados protestaram diante de um centro de contagem de votos, repetindo as acusações infundadas de Donald Trump sobre fraude na eleição. No estado, o democrata venceu com vantagem de 155 mil votos.

A prisão também tem efeitos políticos: as primárias republicanas para definir quem enfrentará Whitmer em novembro contam com com cinco candidatos, incluindo Kelley, mas outros três nomes que estavam na disputa foram descartados no mês passado, devido a irregularidades em seus registros. A votação republicana está, ao menos em tese, prevista para ocorrer no dia 2 de agosto.

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