Pré-candidatos à Presidência condenam assassinato de guarda municipal petista em Foz do Iguaçu

O assassinato de Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu, durante a comemoração do seu aniversário de 50 anos, que teria sido morto por um apoiador de Jair Bolsonaro insatisfeito com a festa que tinha o PT como tema, repercutiu entre os pré-candidatos à Presidência. Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), André Janones (Avante) e Luciano Bivar (União) lamentaram o crime em suas redes sociais. O presidente ainda não se manifestou sobre o ocorrido.

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Jair Bolsonaro chegou a fazer uma postagem em seu Twitter na tarde deste domingo publicando um vídeo onde visita um posto de gasolina e conversa com frentistas sobre a diminuição do preço da gasolinas, mas até o momento não fez nenhuma menção à morte de Marcelo Arruda.

Em sua conta no Twitter, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou o fato, ressaltando a necessidade de se manter o diálogo e de se ter mais tolerância, e afirmou que o discurso de ódio tem sido estimulado por "um presidente irresponsável". Além de demonstrar solidariedade à família de Marcelo, o petista também pediu compreensão com os familiares de José da Rocha Guaranho, que cometeu o crime. Ao contrário do que foi informado anteriormente pela polícia, o agente penal Jorge José não morreu e está no hospital sob custódia. Seu estado de saúde é estável.

"Uma pessoa, por intolerância, ameaçou e depois atirou nele, que se defendeu e evitou uma tragédia maior. Duas famílias perderam seus pais. Filhos ficaram órfãos, inclusive os do agressor. Meus sentimentos e solidariedade aos familiares, amigos e companheiros de Marcelo Arruda. Também peço compreensão e solidariedade com os familiares de José da Rocha Guaranho, que perderam um pai e um marido para um discurso de ódio estimulado por um presidente irresponsável", escreveu Lula.

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Ciro Gomes destacou a necessidade de se conter o ódio político para evitar o que chamou de "tragédia em proporções gigantescas".

"É triste, muito triste, a tragédia humana e política que tirou a vida de dois pais de família em Foz do Iguaçu. O ódio político precisa ser contido para evitar que tenhamos uma tragédia de proporções gigantescas. Que Deus, na sua misericórdia, interceda em favor de nós brasileiros, pacificando nossas almas, e traga conforto às duas famílias destruídas nesta guerra absurda, sem sentido e sem propósito.", publicou o pedetista no Twitter.

A senadora Simone Tebet, pré-candidata pelo MDB, em sua conta no Twitter, se solidarizou com os familiares dos dois envolvidos no caso e pontuou que "esse tipo de conflito nos ameaça enormemente como sociedade". Ela também divulgou uma nota onde afirmou que o caso de Foz do Iguaçu deve fazer "soar um alerta" para que não se admita mais "demonstrações de intolerância, ódio e violência política”.

"Adversário não é inimigo. Que o caso de Foz do Iguaçu/PR faça soar o alerta definitivo. Não podemos admitir demonstrações de intolerância, ódio e violência política. Me solidarizo com as famílias de ambos. Esse tipo de conflito nos ameaça enormemente como sociedade. É contra isso que luto e continuarei lutando. Tenho certeza que nós, brasileiros, temos todas as condições de encontrar um caminho de paz, harmonia, respeito, amor e dignidade humana para reconstruir o Brasil", tuitou.

Luciano Bivar também usou sua conta no Twitter para comentar o crime, que definiu como "inadimisível".

"Esta doença "política" contaminou nossa gente, até aqueles que amamos lá na casa da esquina", escreveu Bivar.

Já o deputado federal André Janones afirmou que ninguém explica uma pessoa odiar outra por "convicções políticas diferentes". Ele também chamou o atual cenário político polarizado entre apoiadores de Bolsonaro e Lula de "idiotização".

"O debate ideológico sem qualquer base racional leva a tragédia que vamos lamentar profundamente. Ninguém vai conseguir explicar essa paixão que leva um ser humano odiar o outro por convicções políticas diferentes. Hoje nós vamos lamentar, desejar condolências às famílias. Mas e amanhã? Amanhã nós vamos esquecer como esquecemos o Genivaldo assassinado brutalmente em uma viatura? Aplaudir e agradecer agressores durante discursos em cima de palanques, como feito ontem? Nós vamos no chocar só com o agora? Não vamos mudar essa mentalidade? Nós vamos esperar que a tragédia, a barbarie chegue dentro das nossas casa pra combatê-la? Essa idiotização (que muitos chamam de polarização) não pode prevalecer. O Brasil precisa cuidar dos seus problemas reais, não criar novos.", publicou o parlamentar.

Políticos comentam crime

Diversos políticos também comentaram o assassinato do guarda municipal petista em Foz do Iguaçu. O ex-presidente Michel Temer divulgou uma nota onde destaca a necessidade de se pacificar o país.

"É preciso que os líderes deem o exemplo e moderem o discurso para evitarmos uma tragédia maior. É fundamental pacificar o país. Meus sinceros sentimentos aos amigos e familiares das duas famílias”, escreveu Temer no comunicado.

O ex-juiz Sergio Moro (União) também falou da necessidade de se combater a violência política no Brasil.

"Precisamos repudiar toda e qualquer violência com motivação política ou eleitoral. O Brasil não precisa disso", tuitou o ex-juiz, pré-candidato ao Senador pelo Paraná.

Marina Silva (Rede), pré-candidata a deputada federal por São Paulo, afirmou no Twitter que o assassinato de Marcelo é consequência de ações do presidente Jair Bolsonaro.

"O assassinato de Marcelo Arruda é consequência da guerra do “bem contra o mal” invocada por Bolsonaro que gera dor, medo e lágrimas para todos os lados. É preciso dar um basta nessa política de violência. Minha solidariedade às famílias enlutadas", escreveu a ex-ministra.

Guilherme Boulos

O pré-candidato do PSOL a deputado federal em São Paulo Guilherme Boulos considerou o crime de legado de Jair Bolsonaro.

"ABSURDO! Bolsonarista assassina líder do PT em Foz do Iguaçu durante sua festa de aniversário. Nossa solidariedade aos familiares de Marcelo Arruda. Esse é o legado de Jair Bolsonaro para o país: violência, ódio e morte", escreveu.

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