Pré-carnaval é em casa: Céu na Terra e Bloco da Pracinha fazem bailes virtuais

O Globo
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Não vai ter bloco de carnaval nas ruas do Rio, mas vai ter festa em casa e purpurina no sofá. A uma semana da folia, os blocos recorrem à tecnologia e à criatividade para não deixar a época mais divertida do ano passar em branco. É o caso do Céu na Terra, que todos anos arrasta milhares de foliões pelas ruas de Santa Teresa, e do Bloco da Pracinha, voltado para o público infantil, que é xodó dos moradores do Jardim Botânico: ambos fazem hoje suas festas de carnaval via YouTube, o primeiro às 17h e o segundo às 10h.

Dos 22 anos de história do Céu na Terra, este será o primeiro em que o grupo não vai pôr o bloco na rua. Eles foram signatários do manifesto “Carnaval 2021 é em casa”, organizado por mais de 150 blocos e ligas carnavalescas do Rio — entre eles, grupos tradicionais como o Cordão da Bola Preta e Carmelitas —, assumindo o compromisso de não desfilar em 2021, por conta da pandemia do novo coronavírus. A cantora e artista plástica Bianca Leão, fundadora do Céu na Terra, explica que a ideia das lives foi também para estimular as pessoas a ficarem em casa.

— Essa solução que encontramos foi coletiva, junto com outros grupos de carnaval de rua, blocos, fanfarras. É um exercício de cidadania. É uma dor tremenda (não desfilar), mas fazemos isso por respeito ao público — diz Bianca.

Além da live de hoje, o Céu na Terra também vai transmitir um bailinho infantil, amanhã, às 14h, com repertório dedicado aos pequenos. E vai repetir a dose da festa para os adultos, também on-line, no sábado de carnaval (13), às 19h. No repertório, muito samba, frevo, maxixe e marchinhas, como conta Bianca:

— Vai ser um bailão de carnaval mesmo, é pra afastar o sofá e passar purpurina.

Cria da Praça Pio XI, no Jardim Botânico — daí o nome —, o Bloco da Pracinha também interrompeu 15 anos de carnaval infantil no local diante da pandemia. Para manter a tradição, a solução foi levar para a internet dois vídeos com conteúdo focado na criançada. O primeiro, que já está no ar, apresenta uma oficina para os miúdos fazerem seus próprios chocalhos usando garrafas pet. O segundo, que será transmitido hoje, será um show comandado pela educadora Bárbara Lau, que vai cantar um repertório infantil em ritmo de carnaval, com músicas como “O sapo não lava o pé” e “Mamãe eu quero”.

Cursos e farra ‘in box’

Além das lives, o “carnaval em casa” vem sendo incentivado por iniciativas como os cursos promovidos, desde ontem, pela Fundição Progresso. Em aulas oferecidas na plataforma do Zoom e no canal da Fundição no YouTube (/tvfundicaoprogresso), especialistas ensinam a tocar pandeiro, a confeccionar estandartes, entre outras boas dicas para o folião curtir a festa em casa. Hoje, às 18h, tem aula de maquiagem com a produtora Fernanda Santoro (inscrições gratuitas no site www.fundicaoprogresso.com.br).

Também de olho na festa indoor, a designer Ana De’Carli, fundadora da marca de acessórios carnavalescos Odara Odéssi, lançou o kit #CarnavalNaCaixa (R$ 200), um box com adereço de cabeça ou ombreira, purpurina, maquiagem neon, confete e serpentina, para o folião investir na curtição particular (encomendas pelo perfil do Instagram @odara.odessi). Foram criados por ela, aliás, os adereços usados pelos integrantes do Céu na Terra nas festas de hoje e amanhã.

— O carnaval não poderia passar em branco como um movimento de manifestação de felicidade, ainda que momentânea. A ideia da caixa é se presentear ou presentear amigos — diz Ana.