Prédio desaba em Miami: quem são as vítimas já identificadas

·4 minuto de leitura
Gladys e Antonio Lozano
Gladys e Antonio Lozano morreram no desabamento do prédio em Miami

O único consolo para o filho é que a morte dos pais foi rápida e que eles estavam juntos.

Sergio Lozano jantou na quarta-feira (23/06) à noite com seus pais, Gladys e Antonio Lozano, pouco antes do desabamento de parte do edifício Champlain Towers em Surfside, no condado de Miami Dade, na madrugada de 24/06.

O casal de 79 e 83 anos, respectivamente, que morava no apartamento 903, foi identificado pela polícia no domingo (27/06) como sendo duas das nove vítimas do desmoronamento confirmadas até agora. Há mais de 150 desaparecidos, segundo as autoridades.

Equipes de resgate estão achando muito difícil encontrar restos mortais sob os escombros. As chances de encontrar sobreviventes diminuem com o passar do tempo.

A polícia identificou oficialmente as primeiras oito vítimas.

Entre elas estavam Stacie Dawn Fang, de 54 anos, e Manuel LaFont, que também tinha 54 anos.

Na noite de domingo foram divulgadas algumas informações de outros quatro nomes de pessoas mortas no desabamento: Luis Bermúdez, de 26 anos; Anna Ortiz, de 46; e os venezuelanos Leon Oliwkowicz, de 80, e Christina Beatriz Elvira, de 74.

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'O apartamento de meus pais não estava mais lá'

Sergio Lozano vive em uma das torres do complexo Champlain Towers e conseguia ver dali o apartamento dos pais.

O ruído estrondoso do desabamento o fez acordar na hora. Ele e sua esposa pensaram que havia sido um trovão. O casal se levantou e foi à varanda enquanto tentava entender o que havia acontecido.

"Olhei para minha esposa e disse: 'Não está lá'. E ela gritava: 'O que você quer dizer?'. 'O apartamento dos meus pais não está mais lá, desapareceu'. E aí eu desci correndo", contou Lozano na sexta (25/06) a jornalistas no local onde familiares dos desaparecidos dão amostras de DNA para ajudar na identificação.

Lozano disse que seus pais iam celebrar no dia 21 de julho o aniversário de 59 anos de casamento. Os dois se conheciam havia mais de 60 anos.

O filho falou que os pais brincavam sobre quem preferiria morrer primeiro, para não ficar sozinho. Antes da confirmação oficial da morte, Lozano acrescentou que seu único consolo era que eles "foram juntos e foi rápido".

Esperança

Jonah Handler
Imagem do resgate de Jonah Handler, de 15 anos

Uma das poucas cenas de esperança desde o desabamento ocorrido na quinta (24/06) foi o resgate, nas primeiras horas, de Jonah Handler, um adolescente de 15 anos.

Stacie Fang, mãe de Jonah, é uma das outras vítimas identificadas. Na própria sexta (25), a família revelou a identidade de Fang.

"Não há palavras para descrever a trágica perda da nossa amada Stacie. Os membros da família Fang-Handler querem expressar o mais profundo agradecimento pela grande quantidade de solidariedade, apoio e compaixão que tem recebido", disse a família num comunicado.

Jonah Handler, o adolescente resgatado dos escombros, continua internado em um hospital.

Memorial
Memorial com fotos de desaparecidos foi montado perto do local do desabamento

Por sua vez, Adriana LaFont, ex-mulher de Manuel LaFont, outra vítima identificada, disse que ele deveria estar com Santiago, filho dos dois, de 10 anos, no momento do desabamento. Pai e filho sairiam no dia seguinte para pescar.

O menino passou a sexta-feira na casa do pai e Manuel LaFont chegou a pedir a Adriana que ele dormisse lá.

"Manny (Manuel) me ligou para dizer que gostaria que Santi passasse a noite na casa dele, porque iriam pescar (no dia seguinte)", disse.

Mas ela, sem saber ao certo por que, disse que não.

Adriana LaFont explicou que perguntou ao filho se ele queria ficar com o pai, mas o menino não respondeu. Por isso, presumiu que a criança ficou com pena de dizer na frente do pai que não queria passar a noite na casa dele.

"Então, disse a Manny, 'por favor, traga ele de volta para casa'. E ele me trouxe Santi às 22:00 da noite", lembra.

"Meu filho voltou a nascer e eu também voltei a nascer", diz Adriana sobre Santiago, que por pouco não teve o mesmo destino que o pai.

Menino brasileiro desaparecido

Um menino brasileiro de cinco anos, que estava no prédio com o pai, o italiano Alfredo Leone, segue desaparecido.

A mãe, a brasileira Raquel Oliveira, estava visitando familiares em outra cidade no momento do desabamento.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ela informou que deixou amostras de DNA para ajudar nas identificações. Os pais do marido dela teriam feito o mesmo para ajudar na identificação de Alfredo Leone.

"Obrigada por tudo que cada um está fazendo, sinto-me muito apoiada. Nesse momento, realmente não preciso de nada, só saber deles. Toda a minha vida estava naquele apartamento", escreveu a Raquel Oliveira no seu perfil no Facebook.

Uma outra família de brasileiros conseguiu escapar praticamente ilesa do desabamento. Em entrevista ao G1, Célia Rocha disse que a filha, o genro e os dois netos chegaram à sua casa andando a pé, "cheios de pó, poeira e arranhões". "Mas nada quebrado e nenhuma ferida, graças a Deus."

Eles moravam na parte do edifício que não desabou. O Champlain Towers tinha 136 apartamentos, dos quais 55 não desmoronaram com o restante da estrutura.

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