Prévia do PIB: Atividade cai pelo segundo mês seguido, mas acumulado do ano é de alta de 2,1%

O Banco Central (BC) registrou o segundo mês seguido de queda na atividade econômica. Em maio, a queda foi de 0,11% em relação a abril, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado nesta quinta-feira.

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No entanto, no acumulado do ano o resultado é de alta de 2,08% e as perspectivas para o segundo trimestre continuam positivas, segundo a economista da GAP Asset, Luana Miranda.

A economista ressalta que a comparação do IBC-Br, que é mensal, é diferente da trimestral feita pelo PIB e por isso os resultados do índice do Banco Central estão apontando para outra direção.

— A minha projeção fica de pé mesmo com o IBC-Br estável em junho. Com crescimento zero, esse IBC-Br é compatível com a alta de 0,9% no PIB no segundo trimestre — disse.

Miranda ressalta que o setor de serviços continua sendo o principal fator para o crescimento da atividade no país. Segundo o IBGE, houve avanço de 0,9% no setor em maio, a terceira alta em quatro meses.

— Um dos fatores que fizeram essa revisão de PIB é a surpresa com serviços, veio mais forte em maio, bem disseminado o crescimento em todas as categorias — afirmou.

A XP espera um crescimento de 0,6% no segundo trimestre pelo IBC-Br, segundo relatório do economista Rodolfo Margato. Ele aponta que junho deve ter crescimento por conta do setor de serviços e de varejo.

Revisão para cima do PIB

Também nesta quinta-feira, o Ministério da Economia revisou sua projeção de PIB de 1,5% para 2% neste ano.

A nova projeção do governo acompanha o movimento das expectativas de mercado, que vem subindo por conta do impacto esperado da PEC Eleitoral na atividade.

O Focus, que reúne as expectativas dos agentes de mercado, projeta alta de 1,59% este ano, há um mês atrás a projeção era de 1,42%.

Em relatório sobre o resultado do IBC-Br, a Genial Investimentos apontou que o resultado veio abaixo do esperado, mas a projeção para o ano ainda é positiva também por conta dos estímulos fiscais com a redução de impostos e a PEC Eleitoral aprovada na noite de quarta-feira.

“Os estímulos fiscais (redução do ICMS em itens essenciais e PEC dos benefícios) darão impulso econômico adicional para o segundo semestre do ano, postergando os impactos mais significativos da política monetária sobre a atividade”, aponta o relatório.

Para 2023, a perspectiva é de crescimento mais baixo justamente pela projeção de taxa básica de juros, a Selic, mais alta por mais tempo.

— Ao mesmo tempo que quando você cresce mais esse ano deixa um carrego maior para o ano que vem estatisticamente, mas com todas essas políticas de estímulo fica mais difícil ver o BC parando de subir os juros. Você tem provavelmente uma política monetária mais apertada e por mais tempo e isso deve comprometer bastante o crescimento de 2023 possivelmente o de 2024 — ressaltou Miranda.

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