Prévias do PSDB: de FH a Alckmin, passando por militantes da base, veja quem não conseguiu votar

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SÃO PAULO — O bug no aplicativo de votação que impediu que o PSDB terminasse o dia com um candidato à Presidência foi democrático. Afetou desde os caciques históricos da legenda, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador Geraldo Alckmin e o senador José Serra, a milhares de filiados anônimos, que não conseguiram votar. O aplicativo travou desde às 8h e, no fim da tarde deste domingo, o partido resolveu suspender o pleito.

A maior parte dos votos computados foram numa urna eletrônica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) instalada no evento presencial que o partido fez em Brasília. Na lista seleta daqueles que não votaram estão ainda a senadora Mara Gabrili, a ex-governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, e até o ex-deputado Marcus Pestana, que trabalhou diretamente na organização e na coordenação das primárias.

Segundo seus interlocutores, Alckmin e Serra se esforçaram para votar desde cedo. O ex-governador é aliado do gaúcho Eduardo Leite, enquanto Serra declarou seu apoio ao paulista João Doria. Seus votos eram especialmente aguardados já que eles fazem parte do colégio eleitoral que tem maior peso na votação e inclui ex-presidentes do partido, governadores e as bancadas no Congresso.

Mas não foram só os medalhões que não conseguiram votar. O professor Renato Ramos, que é filiado ao partido e mora em Ferraz de Vasconcelos (SP), pediu até celular emprestado da amiga para tentar eleger Leite o candidato da sigla para 2022. Assim como a maioria, não conseguiu. Ele conta que os erros começaram nas primeiras etapas: após preencher o título de eleitor, o sistema carrega as informações, mas não conclui, e avança para as próximas etapas. Outro erro acontecia quando o aplicativo pedia para tirar a foto do rosto, mas logo em seguida aparecia uma mensagem na tela "erro de conexão".

— Gerou-se uma expectativa muito grande com relação às prévias, toda a militância se organizou. E hoje, que era o 'grand finale', muitos não conseguiram votar. Faltou organização do partido — disse ele.

Em São Paulo, a deputada Célia Leão, que é secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência do governo Doria, tentou votar no aliado "mais de 25 vezes", mas sem sucesso. Ao GLOBO, ela disse ser "lamentável" que o partido esteja passando por essa situação por "falta de responsabilidade de algumas lideranças".

A expectativa nos bastidores é a de que Leite leve vantagem no grupo de caciques, enquanto Doria tem mais apoio entre os filiados — neste grupo, 60% dos cadastrados são de São Paulo, onde Doria controla o diretório. Ao todo, 44.700 tucanos foram cadastrados no aplicativo de votação.

Foram tantas tentativas para votar nas prévias que Diony Nery, vereador da cidade de Aparecida de Goiás (GO), até decorou o número de seu título de eleitor, exigido em uma das etapas de votação. As investidas para eleger Doria o nome do PSDB começaram por volta do meio-dia e se estenderam por toda a tarde. Ele conta que no grupo de WhatsApp com pouco mais de 100 parlamentares do estado, ninguém relatou ter tido sucesso com o aplicativo.

E não foi por falta de tentativa: Nery diz que usou três celulares diferentes, inclusive de sistemas operacionais distintos. Ainda reinstalou o app e abriu e fechou incontáveis vezes. Em um único momento foi possível avançar para a etapa do voto e até escolher o candidato. Mas faltou o mais importante: a mensagem de votação concluída.

— Senti que faltou um pouco mais de organização. Nós fizemos campanha e agora não poder votar é uma tristeza muito grande. Fizemos o trabalho, corremos atrás, mas não conseguimos concluir. Espero que consigam um novo jeito de haver eleições mais claras — disse o vereador.

Na região da Grande São Paulo Leste, que engloba 11 municípios, 10 dos 450 inscritos para as eleições conseguiram votar, segundo Daniel Teixeira de Lima, Secretário-Geral do PSDB na região.

Entre os erros apontados pelos filiados estão o não reconhecimento do título de eleitor; mensagens como "sem rede de internet" ou "volte mais tarde". Alguns relatam até que um dos erros leva para uma página de codificação estranha.

— Estou acompanhando 11 municípios e a dificuldade é a mesma. Cada tentativa, um problema distinto — disse ele, que tentou votar mais de 14 vezes.

O modelo das prévias prevê a participação de quatro grupos na votação. O primeiro grupo é de filiados sem mandato. No segundo estão prefeitos e seus vices. Vereadores, deputados estaduais e distritais formam o terceiro grupamento, seguido por governadores e vices, senadores, deputados federais, presidente e ex-presidentes da executiva nacional, que compõe o quarto e último grupo. O vencedor precisa ter mais de 50% dos votos, caso contrário haverá um segundo turno no próximo dia 28.

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