Prêmio da Fifa: Por que não votei em Lucy Bronze para melhor do mundo

Tatiana Furtado
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A eleição da inglesa Lucy Bronze como melhor jogadora do mundo é injusta? Claro que não. A lateral-direita da seleção da Inglaterra e agora do Manchester City fez por merecer os votos da maioria pela sua última temporada no Lyon, conquistando mais um título da Champions. Mas por que não votei nela?

Num ano atípico, com longas paralisações dos campeonatos em todo o mundo por causa da pandemia e o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a régua a ser usada para definir a melhor do mundo seria a Champions, sem dúvidas. E mais um título do Lyon – o sétimo – balizaria a escolha, como de costume. Vide o prêmio para Lewandowski entre os homens.

Mesmo assim, a temporada da meia-atacante Pernille Harder por um time menos badalado que o Lyon traduz a grandeza do feito da dinamarquesa. Com sua média superior a um gol por partida, ela teve participação decisiva para levar o Wolfsburg à final da Champions contra o time francês. Na final, passou em branco diante da favorita, mas ainda assim garantiu meu voto.

Mas neste ano, ela fez gol de tudo quanto é jeito: cabeça, perna direita, esquerda... Mostra a versatilidade da dinamarquesa de 27 anos, que surge em todos os cantos do campo e marcou nove vezes na edição da Champions deste ano. De quebra, assinou um contrato com o Chelsea ao fim da temporada 2019/2020 que, pelos cálculos da multa rescisória de 337 mil euros, a torna a contratação mais cara da história do futebol feminino.

E não estive sozinha nessa. Na votação final da Fifa – são 577 votantes, entre técnicos/as, capitãs das seleções e jornalistas –, em que se escolhe as três melhores, Harder teve mais menções na primeira colocação do que Bronze (99 a 84), incluindo a da capitã da seleção brasileira Marta. Mas como a inglesa foi mais citada em 2º e 3º, na pontuação geral ela ficou com o prêmio.

Para escolher as outras duas melhores do ano, é fato que alguém do Lyon deveria entrar na lista. Ninguém é campeão cinco vezes seguidas da Champions sem jogadoras extremamente talentosas. Porém, preferi dar meu voto à zagueira Wendie Renard, de 30 anos, um símbolo desta equipe francesa. Renard esteve em todos os sete títulos europeus.

Defensoras costumam atrair menos atenção da mídia e da torcida. Mas Renard não só é a melhor zagueira do mundo, título confirmado a toda temporada, como tem um ataque aéreo mortal. São mais de 100 gols pelo Lyon, nem todos de cabeça, é claro. Foi, inclusive, a escolha da técnica do Brasil Pia Sundhage, que colocou Harder em segundo.

Ainda sobrava um lugar para Lucy Bronze na minha lista. Cheguei a cogitar dar a terceira colocação para ela. Mas, no fim, optei pela holandesa Viviane Miedema. Sem dúvida alguma, uma das melhores jogadoras do mundo, a jovem holandesa de 24 anos tem levado a equipe do Arsenal à frente com sua técnica apurada no meio-campo e no ataque. Ela conquistou a artilharia da Champions (10) e da última temporada da SuperLiga Inglesa (16 gols).