Prêmio Faz Diferença: 'Lutamos por um Brasil diferente', diz Alice Pataxó, vencedora na categoria País

As ativistas indígenas Alice Pataxó, de 20 anos, e Txai Suruí, de 25, receberam, nesta quarta-feira (22), na Casa Firjan, o Prêmio Faz Diferença na categoria País. Em 2021, elas se destacaram por atrair os holofotes da comunidade internacional para a realidade dos povos originários brasileiros e sua importância no debate socioambiental durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 26, em Glasgow, na Escócia.

O prêmio foi entregue pelo editor de Política, Thiago Prado, e pelo diretor da sucursal de São Paulo do GLOBO, Renato Andrade. Txai está em viagem à Europa. Ao receber a premiação, Alice se emocionou.

- Fico muito emocionada. Esse prêmio representa jovens que saíram dos seus territórios representando direitos coletivos e humanos. Sabemos o quanto o ativismo é perigoso, vivemos isto todo dia, mas sabemos o quanto é necessário. Gostaria de dedicar às nossas famílias, que nos ensinaram a assumir os nossos lugares. Estamos entendendo a importância da mulher no movimento indígena. Queremos fazer a diferença na vida das crianças, sem esquecermos das pessoas que perdemos nesse caminho. Infelizmente, a Justiça não alcança todas as pessoas, mas seguiremos lutando para que isto aconteça. Lutamos por um Brasil diferente

Ativista indígena da etnia suruí, do estado de Rondônia, Txai foi a única brasileira a discursar na abertura oficial da COP 26. Em seu discurso em Glasgow, Txai lembrou os ensinamentos ancestrais, defendendo a importância dos saberes tradicionais dos povos da floresta, para a conservação do meio ambiente e uma convivência harmônica entre homem e natureza. “O meu pai me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo”, disse a jovem em seu discurso na COP 26.

Já a influenciadora digital Alice, da etnia Pataxó do interior da Bahia, se destacou ao discursar em defesa dos territórios indígenas na COY 16, a versão jovem do COP 26, também em Glasgow. Após sua participação na conferência, ela foi indicada pela ativista paquistanesa Malala Yousafzai, mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz, como um dos líderes que merecem ser ouvidos e acompanhados de perto pelo planeta. Ela se engajou na militância pela resistência indígena e em denunciar as ameaças que sua etnia vive ao sentir na pele os conflitos que marcaram o processo de reintegração de posse na aldeia Araticum, em 2015, onde morava na época.

O Prêmio Faz Diferença é uma iniciativa do GLOBO, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

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