Prêmio Faz Diferença: 'O Brasil foi o único a fazer este tipo de trabalho', diz Renata Gil, vencedora na categoria Mundo

A juíza Renata Gil recebeu, na noite desta quarta-feira (22), o Prêmio Faz Diferença , em sua 19ª edição, na categoria Mundo. Gil, presidente da Associação de Magistrados do Brasil (AMB), foi a responsável por trazer para o Brasil um grupo de juízas afegãs ameaçadas de morte pelo regime Talibã, fundamentalistas que sempre foram violentos com as mulheres.

A Lei Talibã é extremamente severa contra o sexo feminino, que inclui o apedrejamento de mulheres em via pública. Havia a possibilidade de as magistradas afegãs serem as primeiras atingidas com tal punição brutal, uma vez que algumas delas eram responsáveis pelo julgamento de alguns extremistas. Preocupada com o destino que suas colegas de toga poderiam ter nas mãos dos talibãs, Gil não pensou duas vezes: dedicou-se a buscar as magistradas e suas famílias.

Para conseguir a autorização para a vinda das afegãs, Gil procurou o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara e os ministros das Relações Exteriores e Justiça. Passada essa etapa, era a hora de obter os vistos humanitários das juízas. Segundo a presidente da AMB, ela e sua equipe cuidaram da elaboração de um plano estratégico para recebê-las, o que incluía as passagens e hospedagens delas e de familiares. No fim, o processo deu certo, apesar da tensão. Todas vivem em Brasília e estão empregadas.

Em seu discurso de agradecimento, Renata Gil ressaltou que o prêmio não é só dela, mas também de colegas magistrados e do Ministério das Relações Exteriores que confiaram na sua iniciativa:

- O Ministério das Relações Exteriores confiou só na minha palavra. Hoje temos sete juízas afegãs no Brasi, mais 26 familiares. Pessoas que só chegaram com a mochila nas costas. As crianças de zero a seis estão aqui em escolas bilíngues e com PMs de saúde. Tenho viajado muito, e o Brasil foi o único que fez este tipo de trabalho - disse a magistrada bastante emocionada

A magistrada brasileira é a primeira mulher presidente da AMB em 70 anos da entidade. É juíza criminal há 24 anos. Sua área de atuação é a lavagem de dinheiro, mas tem se dedicado aos direitos das mulheres desde que assumiu o cargo na entidade. Como presidente, é uma das autoras da campanha Sinal Vermelho, contra a violência doméstica.

A juíza Renata Gil recebeu o prêmio das mãos dos editores de Opinião, Helio Gurovitz; e do Site do GLOBO, Tiago Dantas. O Prêmio Faz Diferença é uma iniciativa do GLOBO, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

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