Prêmio Nobel de Economia 2021 vai para David Card, Joshua Angrist e Guido Imbens

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O prêmio Nobel de Economia de 2021 foi para o canadense David Card, o americano Joshua D. Angrist e o holandês Guido W. Imbens, informou na manhã desta segunda-feira (dia 11) a Academia Real de Ciências da Suécia. Eles ganharam a premiação por suas pesquisas sobre mercado de trabalho e por inovações na metodologia das relações causais, ambas feitos a partir de experimentos naturais. Ou seja, a partir de situações da vida real.

Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, os estudos dos três pesquisadores mostram como experimentos naturais ajudam a resolver importantes questões para a sociedade. E que mudanças de políticas públicas podem resultar em situações que se assemelham a estudos clínicos para avaliar a eficiência de medicamentos.

O prêmio é de 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a R$ 6,32 milhões. Metade do valor vai para Card, da Universidade da Califórnia. Card foi coautor de estudos com Alan Krueger, que morreu em 2019.

Os resultados mostraram, entre outros, que o aumento do salário mínimo não necessariamente leva à redução na oferta de trabalho. "Nós sabemos, agora, que a renda das pessoas que nasceram num país pode se beneficiar de novos imigrantes", disse a Academia Real de Ciências da Suécia.

Segundo a instituição, o estudo também mostrou que a canalização de recursos para as escolas é mais importante para o futuro das crianças do que se pensava anteriormente.

"Sua abordagem se estendeu para outras áreas e revolucionou a pesquisa empírica", disse o júri do Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel.

Dados coletados de experimentos naturais são de difícil interpretação. Por exemplo, estender em um ano a educação obrigatória para um grupo e não para outro não vai afetar todos no grupo da mesma forma. Então, como avaliar os efeitos de um ano extra na escola?

Em meados dos anos 1990, Joshua Angrist e Guido Imbens solucionaram questionamentos como esse desenvolvendo uma metodologia que estabelece relações de causa e efeito a partir de observação de situações da vida real. Eles ganharam a segunda metade do prêmio.

Acredita?

Joshua Angrist é professor no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e Guido Imbens, em Stanford.

"Fiquei absolutamente emocionado ao ouvir a notícia", disse Imbens em uma teleconferência com jornalistas em Estocolmo, acrescentando que estava animado para compartilhar o prêmio com os dois amigos.

No ano passado, o Nobel de Economia foi concedido aos americanos Paul Milgrom e Robert Wilson, por seus estudos sobre leilões. A dupla desenvolveu modelos hoje usados em áreas que vão de energia à banda larga.

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Mais recente que os prêmios da Paz e da Literatura, de 1895, o Nobel de Economia surgiu apenas em 1968. A ideia de premiar os maiores nomes de variadas áreas de conhecimento é de Alfred Nobel, cientista sueco famoso pela invenção da dinamite.

Neste ano, também já foram concedidos prêmios Nobel da Paz, Literatura, Medicina, Física e Química.

A filipina Maria Ressa e o russo Dimitri Muratov, ambos jornalistas, foram escolhidos para receber o Nobel da Pa por seus esforços para salvaguardar a liberdade de imprensa e de expressão.

O escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah ganhou o Nobel de Literatura de 2021, “por sua penetração intransigente e compassiva nos efeitos do colonialismo".

O alemão Benjamin List dividiu o prêmio de Química com David MacMillan "pelo desenvolvimento de uma nova ferramenta precisa para a construção molecular: a organocatálise. Isso teve um grande impacto na pesquisa farmacêutica e tornou a química mais verde.

O americano David Julius e o libanês Ardem Patapoutian (naturalizado americano) ganharam o Nobel de Medicina por suas descobertas que explicaram as sensações de temperatura e toque no organismo.

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O Prêmio Nobel de Física de 2021 foi concedido a três físicos que trabalharam nos chamados sistemas complexos. O japonês Syukuro Manabe e o alemão Klaus Hasselmann compartilharam metade do prêmio por criarem modelos de simulação do clima da Terra.

A outra metade do prêmio foi para o italiano Giorgio Parisi por suas teorias que explicam a desordem e a flutuação em sistemas físicos.


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