Prêmio São Paulo de Literatura 2021 vai para Edimilson de Almeida Pereira e Morgana Kretzmann

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O mineiro Edimilson de Almeida Pereira e a gaúcha Morgana Kretzmann são os vencedores do 14º Prêmio São Paulo de Literatura. O resultado foi publicado nesta terça-feira no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Pereira levou o prêmio de Melhor Romance do Ano de 2020 com "Front" (Nós). Kretzmann venceu na categoria Melhor Romance de Estreia do Ano de 2020 com "Ao pó" (Patuá). Ambas as obras foram publicadas por editoras independentes.

Poeta reconhecido, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pesquisador da cultura afro-brasileira, Edimilson de Almeida Pereira estreou na prosa de ficção no ano passado. De uma só vez, lançou três romances que compõem a trilogia “Náusea”: "Um ausente", "Um corpo à deriva" e "Front". Cada um dos livros foi lançado por uma editora independente: Relicário, Macondo e Nós, respectivamente.

"Front", o romance vencedor, é o retrato de um homem sem nome nascido na miséria e que sobrevive do que encontra no lixo. O narrador recorda sua história enquanto espera na fila de uma lotérica. “Front” disputou o prêmio com romances elogiados, como “O avesso da pele”, de Jeferson Tenório, “Solução de dois estados”, de Michel Laub, e “Suíte Tóquio”, de Giovana Madaloso. Edimilson é um dos autores convidados da 19ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que começa neste sábado (27), em formato virtual. Ele também concorre ao Prêmio Jabuti com “O ausente”.

A crítica literária Luciana Araujo Marques, jurada do prêmio, afirma que "Front" impressiona "pelo intenso trabalho com a linguagem sem perder de vista fatores decisivos para o romanesco, como o enredo, a construção de personagens, a voz narrativa, o tempo e o espaço, sem deixar deixar de se apresentar como um fluxo que questiona a própria forma do romance".

— Em suas páginas, acompanhamos a formação de um escritor que cresce em local e contexto dos quais se espera outro tipo de destino-narrativa. Esse lugar não tem nome, mas logo o leitor o reconhece — diz. — "Front" também pode ser entendido como espécie de testemunho intelectual de quem vem das margens, ou, para utilizar o léxico do livro, dos que estão na fila, no front.

Já “Ao pó” acompanha a história da gaúcha Sofia, que, ainda criança, foi abusada sexualmente por um tio que também atacou sua irmã. O romance concorreu com “Os supridores”, de José Falero, uma das estreias mais festejadas de 2020, e obras como “Brazza”, de Mariana Brecht, e "Mundos de uma noite só", de Renata Belmonte. Segundo Luciana, "Ao pó" conquista o leitor por sua "veracidade" e "cenas bem construídas que embalam a leitura ao tratar de assuntos tão dolorosos e silenciados como a pedofilia e as relações tóxicas".

— Em uma prosa bastante ágil e cheia de viradas, do tipo que a gente fica curioso para saber o que acontece no final, a narrativa acompanha de perto como a violência funda subjetividades de vítimas, mas também de abusadores. Temos uma escritora que se destaca pela forma como observa as relações humanas sem achatá-las, que toca em feridas, sem derramamentos — explica a crítica literária.

Realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, o Prêmio São Paulo de Literatura paga R$ 200 mil a cada um dos vencedores. O júri desta edição do Prêmio São Paulo de Literatura é formado por Eduardo Cesar Maia, Flávio Carneiro, Iris Amâncio, Juliana de Albuquerque, Ketty Valencio, Leo Lama, Luciana Araujo Marques, Paula Fábrio, Paulo Lins e Tom Farias.

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