Juiz decidirá em breve se arquivará ação sexual contra príncipe Andrew

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Um juiz de Nova York decidirá "muito em breve" se arquivará uma ação interposta por uma americana contra o príncipe Andrew, na qual o acusa de tê-la agredido sexualmente quando era menor de idade, há mais de 20 anos.

O juiz do tribunal de Manhattan, Lewis Kaplan, ouviu nesta terça as argumentações dos advogados de Virginia Giuffre, assim como dos defensores do segundo filho da rainha Elizabeth II durante uma audiência virtual.

Kaplan prometeu que decidiria sobre o caso "muito em breve".

A defesa do príncipe tenta convencer a justiça americana de indeferir a queixa civil apresentada por Giuffre em agosto em Nova York.

A mulher, hoje com 38 anos, diz que Andrew a "agrediu sexualmente" em três ocasiões em 2001 - quando ela tinha 17 anos e se chamava Virginia Roberts - em Londres, em Nova York e nas Ilhas Virgens americanas.

Nestes locais, tinham residências os amigos do príncipe Andrew envolvidos em escândalos sexuais, o bilionário americano Epstein e a britânica Ghislaine Maxwell.

Epstein se suicidou em uma prisão de Manhattan, enquanto esperava seu julgamento por tráfico sexual de menores em 2019. Ele tinha 66 anos, Maxwell, de 60 anos, foi considerada culpada pelo mesmo crime em 29 de dezembro.

- Predadores sexuais -

Os advogados do príncipe pediram que a ação seja indeferida porque Giuffre "renunciou a seus direitos para apresentar uma demanda contra eles quando assinou o acordo de 2009 e aceitou o dinheiro de Epstein".

Eles argumentam que o acordo também "protege" outros "potenciais acusados" do círculo de Epstein, inclusive o príncipe Andrew.

Suposta vítima de Epstein e Andrew, Giuffre "tinha a intenção de (exonerar) uma longa categoria de indivíduos, incluindo personalidades da realeza e homens de negócios", insistiu o advogado.

Na segunda-feira, os magistrados nova-iorquinos divulgaram o acordo assinado há 12 anos na Flórida entre a demandante e Epstein, até então confidencial.

Segundo o documento, o homem de negócios lhe teria pago meio milhão de dólares em troca de se comprometer a não denunciar nem a Epstein, nem a "outros potenciais acusados" em seu entorno.

- Sem lembranças -

Como se esperava, a defesa de Andrew argumenta que este acordo protege seus cliente, embora no texto não apareçam nem seu nome nem o título de nobreza do duque de York.

Em contrapartida, os advogados de Virginia Giuffre argumentam que o príncipe não está "coberto" pelo acordo, porque este "não o cita" e porque a parte interessada "nem sabia da sua existência" em 2009.

Entrevistado pela AFP, o professor de direito da Universidade de Pace, Bennet Gershman, informou esperar que o juiz rejeite a postura da defesa do príncipe.

"Estão dizendo que todo mundo deveria ficar livre segundo este acordo? É difícil de vender", disse.

O príncipe de 61 anos, que não é processado por acusações criminais, nega "categoricamente" ter atacado Virginia Roberts naquela época e garante que não se lembra dela.

Várias fotos, muito divulgadas, são conta da proximidade entre o príncipe Andrew, Epstein, Maxwell e Giuffre. Sobretudo, uma de 2000 em que Epstein, Maxwell e o príncipe Andrew aparecem durante uma caçada no leste da Inglaterra. Outra foto mostra o príncipe Andrew e Giuffre abraçados pela cintura, sorridentes, com Maxwell ao fundo.

- "Ação infundada" -

Os advogados do príncipe também acusaram Giuffre e tentar tirar projeito de um "processo infundado".

Suas tentativas para deter o curso da ação alegando que Giuffre agora mora na Austrália foram indeferidas pela justiça americana na sexta-feira.

Os advogados da demandante exigiram os registros médicos de Andrew, que provem que o príncipe não conseguia suar por causa de uma rara condição relacionada a seu serviço em combate nas Ilhas Malvinas, em 1982, e devido a uma excessiva secreção de adrenalina na ocasião.

Isto devido a uma entrevista desastrosa com a BBC em 2019, em que o príncipe negou afirmações de Giuffre de que teria compartilhado com ele uma dança suarenta em uma boate londrina, pois ele não transpiraria mais.

O príncipe Andrew, mergulhado no escândalo há mais de dois anos, teve que deixar a primeira linha da realeza britânica e retirou-se da vida pública.

Se os recursos de Andrew falharem, um processo civil poderia ser iniciado "entre setembro e dezembro" deste ano, informou no outono de 2021 o juiz Kaplan.

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