Príncipe Charles 'entende' frustração dos ecologistas antes da COP26

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Príncipe Charles visita a Dumfries House, em Cunnock, em evento de sua fundação, em 9 set. 2021 (AFP/Andrew Milligan)

O príncipe Charles, um ambientalista de longa data que defende a jardinagem orgânica e faz funcionar um de seus carros com vinho branco, exortou os líderes mundiais a transformarem as palavras em ações na próxima cúpula do clima.

O filho mais velho da rainha Elizabeth II e herdeiro da coroa britânica participará da COP26, organizada em novembro na cidade escocesa de Glasgow, junto com sua mãe, de 95 anos.

Em entrevista à rede BBC nesta segunda-feira (11), o príncipe disse que "entende" a frustração de ativistas, como a sueca Greta Thunberg, que acusa os políticos de permanecerem impassíveis à emergência climática.

"Todos esses jovens acham que nada acontece, então é claro que ficam frustrados", afirmou o príncipe, de 72 anos.

Ele também disse entender por que grupos ambientalistas, como o Extinction Rebellion (XR), protestam e bloqueiam estradas, ações reiteradamente condenadas pelo governo britânico.

"A dificuldade está em como lidar com essa frustração de forma construtiva, e não destrutiva", sugeriu.

Charles teme que os líderes mundiais reunidos para a COP26, a partir de 31 de outubro, em Glasgow, "limitem-se a falar", em vez de tomarem medidas para reduzir drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa.

O primeiro-ministro Boris Johnson conversou com seu homólogo indiano, Narendra Modi, nesta segunda-feira, instando-o a fazer mais para reduzir as emissões.

A Índia é o terceiro país do mundo que mais emite gases de efeito estufa e depende do carvão para quase 70% de sua geração de eletricidade. Resiste a definir uma data para sua neutralidade de carbono, argumentando que a responsabilidade recai sobre os países mais ricos com as maiores taxas de emissão per capita.

Johnson "ressaltou a importância de se fazer progressos concretos na mudança climática" em Glasgow, relatou Downing Street.

"Ele observou que a Índia já é um líder mundial em tecnologia renovável e expressou esperança de que se comprometa com uma contribuição nacional mais ambiciosa", acrescentou.

Desde que os Acordos de Paris sobre o Clima foram assinados em 2015, a transição para economias mais limpas progrediu muito lentamente no sentido de limitar o aquecimento global a +2°C, e muito menos a +1,5°C, em comparação com o final do século XIX.

O impacto será "catastrófico", se não forem tomadas medidas ambiciosas, advertiu Charles, contando que ele próprio deixou de comer carne e peixe dois dias por semana.

Disse ainda que seu carro, um Aston Martin que possui há mais de 50 anos, foi modificado para funcionar com "excedente de vinho branco inglês e soro do processo de fabricação de queijo". Ele funciona com uma mistura de 85% de bioetanol, e 15%, de gasolina sem chumbo.

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