Príncipe Harry diz que usou psicodélicos para lidar com o luto; entenda

Lançado nesta terça-feira, o novo livro de memórias do príncipe Harry aborda o momento do luto decorrente da morte de sua mãe, princesa Diana, e o uso de substâncias ilícitas para lidar com a perda. Entre elas, menciona os psicodélicos, como a psilocibina, princípio ativo dos chamados “cogumelos mágicos”, e o chá com potencial alucinógeno ayahuasca.

Atos de vandalismo: Entenda o que influencia o comportamento das multidões

Barriga inchada? Postura de ioga promete reduzir abdômen com apenas 10 minutos por dia

Em entrevista veiculada neste domingo no programa de televisão 60 minutes, da rede americana CBS News, Harry falou sobre a experiência e disse que as substâncias podem “funcionar como um remédio”.

— Eu nunca recomendaria que as pessoas fizessem isso de forma recreativa. Mas fazer isso com as pessoas certas, se você está sofrendo uma grande quantidade de perda, luto ou trauma, então essas coisas funcionam como um remédio — disse.

Aprenda as técnicas: Aquecimento dinâmico é a melhor opção para o pré-treino

Questionado pelo entrevistador Anderson Cooper se os psicodélicos ajudaram a mostrar algo para Harry em relação ao luto, o príncipe respondeu que sim.

— Eles limparam essa ideia que eu tinha na cabeça que minha mãe… que eu precisava chorar para provar à minha mãe que eu sentia falta dela. Quando na verdade tudo o que ela queria era que eu fosse feliz — contou.

Harry também falou sobre já ter usado outras drogas enquanto sofria com a perda, como maconha e até mesmo cocaína.

— Eu recorri a beber muito. Porque eu queria entorpecer o sentimento, ou queria me distrair de como... o que quer que eu estivesse pensando. E eu, você sabe, recorria às drogas também — afirmou durante o programa.

Você é workaholic? Vício em trabalho tem novas definições; saiba como identificar riscos

Psicodélicos funcionam para a saúde mental?

No caso dos psicodélicos, de modo diferente das drogas mais pesadas, de fato há uma série de estudos que avaliam o efeito para tratar graves problemas de saúde mental, como depressão resistente e estresse pós-traumático, embora eles ainda não tenham sido aprovados como terapia por agências de saúde.

Recentemente, um dos maiores trabalhos sobre o tema foi publicado na revista científica New England Journal of Medicine. De acordo com os dados do estudo clínico de fase 1, uma única dose de 25 miligramas de psilocibina reduziu os sintomas de depressão em pessoas que não obtiveram sucesso em vários tratamentos convencionais.

O estudo envolveu 233 pessoas em 10 países que foram também acompanhadas de apoio psicológico. Eles foram divididos em três grupos com dosagens diferentes de uma versão sintética da psilocibina desenvolvida pela startup britânica Compass Pathway, de 1, 10 e 25 mg.

Combate e prevenção do câncer: Vacina experimental destrói tumores cerebrais existentes e reduz recorrência

Após três semanas, aqueles com a maior dosagem apresentaram melhora significativa em comparação com o grupo das doses mais baixas, e pouco menos de 30% entraram em remissão. Agora a fase 2 dos testes devem determinar a dosagem exata ideal e a existência do efeito benéfico, e a terceira etapa, envolvendo mais participantes e que comprova de fato a eficácia, está programada para terminar em 2025.

Nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana, concedeu em 2018 à psilocibina o status de “terapia inovadora” para depressão, o que alavancou os ensaios clínicos. Especialistas esperam um possível aval definitivo em cerca de dois anos.

Mesmo ainda sem o sinal verde, o estado de Oregon, no país, foi o primeiro a autorizar, no início do mês, que a substância seja comercializada dentro de um centro de atendimento de serviço credenciado para pessoas acima de 21 anos.

No Brasil, estes compostos também só podem ser usados em estudos científicos controlados. No entanto, clínicas já oferecem tratamentos para a saúde mental com uma outra substância que provoca efeitos alucinógenos: o anestésico cetamina.