Príncipe herdeiro saudita faz primeira visita à Europa após assassinato de Khashoggi

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, chegou nesta terça-feira (26) à noite na Grécia, em sua primeira visita oficial à União Europeia (UE) desde o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Após a estada de dois dias na Grécia, o príncipe herdeiro tem previsto visitar a França, de acordo com a agência de imprensa do reino saudita.

Bin Salman, conhecido pelas iniciais MBS, terá uma reunião com "as autoridades de Grécia e França para abordar as relações bilaterais e as formas de fortalecê-las em diferentes áreas", indicou a agência SPA, citando um comunicado de imprensa da corte real.

Acompanhado por três ministros e uma importante delegação de empresários, MBS se reuniu com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, antes de assinar acordos sobre transporte marítimo, energia, tecnologia de defesa, gestão de resíduos e cultura.

As partes também fecharam um acordo para a instalação de um cabo elétrico ligando a Arábia Saudita e a Grécia, que trará "energia muito mais barata" para a Europa, observou MBS antes da reunião com Mitsotakis.

MBS falou sobre a cooperação em tecnologia de hidrogênio e o projeto de tornar a Grécia um "ponto-chave na Europa para essa tecnologia".

A viagem acontece menos de duas semanas depois da visita do presidente americano, Joe Biden, ao reino saudita, que marcou o retorno do príncipe herdeiro ao cenário político internacional, tendo como pano de fundo a guerra na Ucrânia e os altos preços da energia.

- Visita "altamente simbólica" -

Mohamed bin Salman, o governante de fato do país do Oriente Médio, foi condenado ao ostracismo pelos países ocidentais pelo assassinato em 2018 do jornalista crítico Jamal Khashoggi no consulado de seu país em Istambul.

Os serviços de inteligência americanos apontaram Mohamed bin Salman como responsável por ordenar o assassinato.

O amigável toque de punhos entre Biden e Bin Salman em Jidá pôs um ponto final à campanha do presidente americano para transformar o reino saudita em um "pária".

Assim, a visita do príncipe herdeiro à Europa torna-se "altamente simbólica" já que MBS "não visitou nenhum país europeu ou norte-americano" desde 2018, segundo Kristian Coates Ulrichsen, pesquisadora do Baker Institute da Rice University (no Texas).

O filho do rei Salman recebeu outro apoio importante, o do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que viajou à Arábia Saudita em abril.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, os países ocidentais tentam convencer o principal exportador de petróleo bruto a aumentar sua produção para ajudar os mercados.

O aumento do preço do petróleo alimenta a inflação nos Estados Unidos, que atinge níveis não alcançados há 40 anos, e coloca Biden em risco nas eleições de meio de mandato deste ano.

No entanto, a Arábia Saudita resiste à pressão desses aliados, citando seu compromisso com a Opep, a aliança petrolífera que gerencia em conjunto com a Rússia.

Em maio, o ministro das Relações Exteriores saudita, príncipe Faisal bin Farhan al Saud, declarou que o reino fez tudo o que podia pelo mercado de petróleo.

MBS viajará em seguida para a França, país que na semana passada anunciou um acordo "de cooperação no campo do fornecimento de energia" com os Emirados Árabes Unidos.

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