Príncipe William critica corrida do turismo espacial antes da COP26

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Príncipe William participa de uma iniciativa para a educação no cuidado do planeta, em 13 de outubro de 2021, em uma escola de Kew Gardens, em Londres (AFP/Ian Vogler)

O príncipe William, número dois na sucessão ao trono britânico, criticou nesta quinta-feira (14) o turismo espacial e pediu concentração nos problemas do planeta antes da grande conferência sobre o clima COP26, que será realizada em Glasgow.

"Algumas das mentes e dos cérebros mais brilhantes do mundo deveriam, antes de mais nada, tentar consertar este planeta, não tentar encontrar outro lugar para viver", disse William, de 39 anos, em uma entrevista à rede BBC antes da entrega, no domingo (18), da primeira edição do prêmio Earthshot.

A distinção foi criada por ele para estimular soluções para a crise climática.

Estas críticas surgiram horas depois de o ator da série "Star Strek" William Shatner ter feito uma viagem de alguns minutos ao espaço, na quarta-feira (13), a bordo de um foguete Blue Origin. Aos 90 anos, o ator canadense se tornou a pessoa mais velha a chegar à última fronteira.

Este foi o segundo voo de passageiros do foguete do bilionário americano Jeff Bezos, fundador da Amazon, que pretende se firmar como protagonista no cobiçado setor de turismo espacial. Estão nesta corrida o britânico Richard Branson e o magnata americano Elon Musk.

Os comentários de William desagradaram círculos científicos, onde muitos destacaram o valor para a humanidade de décadas de exploração espacial.

A cientista espacial britânica Maggie Aderin-Pocock declarou que concorda que a ação humana está destruindo o planeta e que há lições a serem aprendidas.

"Mas esse não pode ser o nosso único objetivo. O espaço é inspirador. Graças a 'Star Trek' eu me tornei cientista espacial e agora trabalho na mudança climática", declarou ao canal ITV.

"Vou para a COP16 no mês que vem para falar sobre como o espaço nos ajuda com a mudança climática. Então, temos que nos concentrar na mudança climática, mas não pode ser a única coisa", destacou.

- Turismo espacial ou ciência? -

Para o grupo Republic, que faz campanha para abolir a monarquia britânica, William deveria "guardar suas opiniões mal informadas para si mesmo. Isso é política e, embora o turismo espacial seja questionável, a ciência se beneficia da exploração espacial", tuitou.

Os principais envolvidos, como Bezos ou Musk, não reagiram, mas este último já disse no passado que pensa que "deveríamos dedicar a maior parte dos nossos recursos para resolvermos os problemas" do planeta.

Em um documentário sobre a missão Inspiration4, divulgado na Netflix em setembro, ele afirmou que "99% ou mais da nossa economia deveria se dedicar a resolver os problemas da Terra. Mas acredito que talvez 1%, ou menos de 1%, poderia ser aplicado para estender a vida além da Terra".

"Pensem em um futuro no qual sejamos uma civilização espacial e uma espécie multiplanetária, isso é um futuro emocionante e inspirador. Se a vida se limita aos problemas, qual sentido tem viver?", acrescentou.

Antes da COP26, que começa em 31 de outubro, o príncipe também elogiou seu pai, Charles, por estar "muito à frente", em matéria de mudança climática. Somou-se a ele para pedir medidas contundentes em Glasgow.

O príncipe de Gales, de 72 anos, "mostrou que está muito à frente, muito além de seu tempo, ao alertar sobre alguns desses perigos", disse William.

"Mas não deveria ser necessário que uma terceira geração apareça e tenha que aumentar ainda mais a pressão", acrescentou.

"Seria um desastre absoluto se o meu filho George (de 8 anos) estivesse sentado aqui, falando com vocês, daqui a 30 anos, ainda falando a mesma coisa, porque aí será tarde demais", frisou.

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