Argentina vê negativamente a chamada de Maduro mudar Constituição

Buenos Aires, 2 mai (EFE).- A ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, reafirmou que seu país não tem uma "agenda destituinte" a respeito da Venezuela e considerou que a convocação do presidente do país, Nicolás Maduro, de uma assembleia para mudar a Constituição é como "jogar gasolina no fogo", informaram nesta terça-feira fontes oficiais.

"Apesar de estar na Constituição, me parece que neste momento é quase como jogar gasolina no fogo. Temos que avaliar, mas parece que todo mundo está aumentando as apostas e não está pensando que os que morrem na rua, seja qual for a posição política, são venezuelanos", disse Malcorra, em declarações ao canal "TN" divulgadas hoje pela Chancelaria em um comunicado.

Além disso, apesar das fortes trocas de acusações mantidas com funcionários venezuelanos, a chanceler disse que a Argentina não tem uma "agenda destituinte" porque não está "pensando na queda do governo do presidente Maduro através de um esquema de golpe".

"Acreditamos que devem funcionar todas as ferramentas existentes e ir a um esquema de eleições nas quais vença aquele que o povo decidir", apontou.

Malcorra reiterou também a adesão da Argentina à postura do papa Francisco a respeito da Venezuela, tal e como já tinha manifestado o governo de Mauricio Macri no último fim de semana em um comunicado conjunto com Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Peru, Paraguai e Uruguai.

"O que sua Santidade indica - e foi parte também do que falamos quando eu estive em Roma há alguns dias - é que já quer começar a esclarecer os temas e definir datas e que não é uma discussão sem fim", apontou.

"E para isso é importante a participação e o compromisso do governo venezuelano, mas também da oposição, que deve se assegurar de que todo mundo tem um objetivo em comum e concorda com a forma de se chegar a esse objetivo", prosseguiu.

No texto conjunto, os países assinantes exigiram "a cessação dos atos de violência, a plena vigência do Estado de Direito, a liberdade dos presos políticos, a plena restituição das prerrogativas da Assembleia Nacional (órgão do Poder Legislativo, controlado pela oposição), e a definição de um cronograma eleitoral".

Maduro, por sua vez, ordenou nesta segunda-feira a iniciação de um processo para modificar a Constituição venezuelana, atitude que a oposição qualificou de golpe de Estado e pela qual convocou os venezuelanos a "se rebelar" para evitar a dissolução da república.

O anúncio acontece em meio de fortes tensões nas ruas, após um mês de protestos contra o governo. EFE