Pró-iranianos buscam pressionar Biden no Iraque após novo anúncio de retirada de tropas

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(Arquivo) O presidente americano, Donald Trump
(Arquivo) O presidente americano, Donald Trump

O anúncio dos Estados Unidos da retirada de outros 500 soldados do Iraque foi recebido com novos ataques à sua embaixada, uma escalada militar pró-iraniana antes da chegada ao poder do democrata Joe Biden.

Na terça-feira, ao mesmo tempo em que Washington anunciava que em breve apenas 2.500 soldados serão mantidos no Iraque, vários foguetes atingiram a embaixada dos Estados Unidos na capital iraquiana.

A trégua que os pró-iranianos anunciaram pouco antes das eleições terminou na terça-feira, quando a imprensa americana revelou que Donald Trump havia estudado a possibilidade de bombardear o Irã antes de deixar o cargo.

Os grupos pró-iranianos não assumiram a responsabilidade por este ataque, em parte porque um foguete atingiu o centro de Bagdá, matando uma menina e ferindo cinco civis.

Mas, em particular, várias fontes reconhecem que os ataques visam impedir Trump de atacar o Irã e em represália pela prisão de paramilitares pelas autoridades iraquianas.

- "Data de validade" de Trump -

Os sete foguetes da terça-feira são "uma escalada real", explica Hamdi Malik, especialista em paramilitares iraquianos.

Washington os acusa de estar por trás de uma centena de ataques aos interesses americanos no Iraque no ano passado, a maioria dos quais causou apenas pequenos danos, quase nunca vítimas.

"Mas agora eles usam foguetes Grad, que são mais diretos. Eles enviam uma mensagem ao mesmo tempo aos Estados Unidos e ao primeiro-ministro Mustafa al-Kazimi, a quem consideram um lacaio dos americanos", acrescenta Malik.

Mas a retirada das forças americanas presentes no quadro da coligação internacional anti-extremista já foi anunciada, falta apenas discutir as datas.

A escalada de terça-feira também é explicada pela mudança em Washington, ressalta Ramzy Mardini, do Instituto Pearson da Universidade de Chicago.

"Já é certo que Trump tem uma data de validade e isso deixa o Irã livre para aumentar a pressão por um tempo limitado", disse à AFP.

- O fim dos drones e dos mísseis Patriot -

Ao aumentar os ataques, Teerã "busca que o cenário de retirada (americana) seja a única opção razoável que lhes resta", continua Mardini.

Manter os soldados em um terreno cada vez mais hostil seria "uma opção politicamente muito cara para Joe Biden".

Para os grupos pró-iranianos, a retirada total das tropas americanas é vital, porque os liberariam dos drones americanos, "que impedem direta ou indiretamente o projeto do Irã de ter um corredor até o Mediterrâneo" e dos sistemas de defesa aérea C-RAM e Patriot, "que limitam a capacidade de dissuasão do Irã contra os Estados Unidos", acrescentou Mardini.

O que eles querem, resume o pesquisador, é "desmilitarizar a presença dos Estados Unidos no Iraque, mas não acabar com ela" em primeiro lugar, para evitar um conflito regional ou represálias.

Logo, o objetivo final do Irã é manter "poder de negociação" para quando Biden chegar ao poder, longe da "pressão máxima" de Trump e pronto para o diálogo e a reaproximação, prevê o especialista.

Com a condição, é claro, de que até então Trump não tenha colocado as cartas na mesa com um golpe final.

Esses novos foguetes lançados, como um alto comandandante dos Estados Unidos em Bagdá explicou à AFP, "poderiam desencadear uma resposta muito diferente".

"Pode ser o botão que o Departamento de Estado vem tentando apertar há algum tempo".

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