Próximo ao clã Bolsonaro e ex-conselheiro de Trump, Bannon é condenado nos EUA por obstruir investigação de ataque ao Capitólio

Brazilian Presidency/AFP

Um júri do tribunal federal dos Estados Unidos considerou Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump, culpado de desrespeito ao tribunal por se recusar a cooperar com a comissão do Congresso norte-americano que investiga o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, que visava impedir a posse de Joe Biden.

Steve Bannon, um ex-conselheiro próximo de Donald Trump, foi considerado culpado em um tribunal federal dos Estados Unidos na sexta-feira (22) por obstruir os poderes de investigação do Congresso após se recusar a cooperar com a comissão parlamentar que investiga o ataque ao Capitólio.

O homem de 68 anos, figura do populismo de extrema direita nos Estados Unidos e diretor da bem-sucedida campanha de Donald Trump em 2016, conhecerá sua pena em outubro.

Um júri de um tribunal federal de Washington deliberou por menos de três horas na sexta-feira para declará-lo culpado das duas acusações contra ele. Ele enfrenta entre um mês e um ano de prisão, por cada acusação.

Mesmo após ser removido da Casa Branca em agosto de 2017, Steve Bannon permaneceu perto de Donald Trump e falou com ele na véspera do ataque à sede do Congresso, em 6 de janeiro de 2021.

A fim de descobrir a natureza destas conversas, a comissão parlamentar de inquérito encarregada de esclarecer o papel do ex-presidente norte-americano neste ataque havia intimado Steve Bannon a depor e apresentar documentos.

Ele recusou, citando o direito dos presidentes de manter em segredo certas conversas, pelo que foi acusado de "obstruir" o trabalho do Congresso.

"Podemos ter perdido uma batalha hoje, mas não vamos perder a guerra", disse Bannon aos repórteres após o veredicto. "Eu apoio o Trump e a Constituição", afirmou.

"Foi um prazer conhecer STEVE BANNON, estrategista da campanha presidencial de Donald Trump. Tivemos uma grande conversa e compartilhamos a mesma visão de mundo. Ele disse ser um entusiasta da campanha de Bolsonaro e estamos certamente em contato para unir forças, especialmente contra o marxismo cultural", diz a mensagem postada pelo [deputado federal] Eduardo Bolsonaro, antes mesmo da eleição de seu pai, neste tuíte de 4 de agosto de 2018.

O clã Bolsonaro e posteriormente o (já eleito) presidente brasileiro se encontraram em diversas situações com Steve Bannon, agora condenado pela Justiça norte-americana. “Acho que Bolsonaro e Salvini são os políticos mais importantes do mundo”, chegou a dizer Steve Bannon durante uma entrevista coletiva em Roma, em 23 de março de 2019.

Chamada para as urnas em novembro

"Vou lutar até o fim", acrescentou Steve Bannon na sexta-feira à noite como convidado na rede de TV Fox News, acrescentando que "temos um longo processo de apelação" pela frente. "Acho que a lei está conosco em muitas coisas", considerou.

O ex-consultor político de Trump também convidou os telespectadores a derrotar os democratas nas eleições parlamentares de novembro, para que um Congresso dominado pelos republicanos "abrisse", propôs ele, "sua própria comissão de inquérito sobre o ataque ao Capitólio".

"Precisamos de uma verdadeira comissão sobre o 6 de janeiro", disse Bannon em frente ao âncora Tucker Carlson.

Por sua vez, o presidente democrata do Comitê de Investigações do Capitólio da Câmara, Bennie Thompson, e a vice-presidente, a republicana Liz Cheney, saudaram a decisão do tribunal como "uma vitória para o Estado de Direito" dos Estados Unidos.

"Qualquer pessoa que obstrua nossa investigação deve enfrentar as conseqüências", disseram eles em uma declaração conjunta.

Na abertura do processo, na terça-feira, a promotora Amanda Vaughn acusou Steve Bannon de acreditar que ele estava "acima da lei".

Bannon "ignorou ordens, mesmo depois que o Congresso rejeitou seus pretextos, e ignorou inúmeras advertências de que enfrentaria a acusação se não cumprisse a intimação conforme exigido", disse Vaughn.

(Com informações da AFP)

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