Praia de Balneário Camboriú tem mar com mais ondas e banco de areia após obra

·4 min de leitura
**ARQUIVO** BALNEÁRIO CAMBORIÚ, SC, 25.01.2020 - Vista aérea da orla de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. (Foto: Anderson Coelho/Folhapresss)
**ARQUIVO** BALNEÁRIO CAMBORIÚ, SC, 25.01.2020 - Vista aérea da orla de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. (Foto: Anderson Coelho/Folhapresss)

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Com o alargamento da faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, banhistas e bombeiros notaram a presença de bancos de areia e de correntes do mar de forma mais frequente. A mudança pode ter deixado o mar mais agitado, com mais ondas.

O Corpo de Bombeiros reforçou seu efetivo no espaço para evitar afogamentos e a necessidade de resgates. A obra já gerou polêmicas, com o caso de mulheres que atolaram na faixa de areia e o de um homem em situação de rua achado dentro de uma tubulação.

"A obra mudou a característica da praia", afirmou o capitão Marcus Vinicius Abre, subcomandante do 13º Batalhão de Bombeiros Militar, que atende a praia. "Há mais bancos de areia e algumas correntes de retorno onde não existiam."

A obra de alargamento da faixa de areia foi concluída em dezembro e tornou-se um novo atrativo turístico da cidade.

Segundo o prefeito Fabrício Oliveira (Podemos), o projeto de mais de R$ 66 milhões colaborou para que a ocupação de hotéis na cidade retomasse níveis de antes da pandemia.

Guarda-vidas ouvidos pela reportagem, porém, dizem que banhistas que passam pela praia desde sua reabertura têm de lidar com ondas mais fortes e um fundo já não tão regular como antes.

"As ondas na praia Central chegavam à beira bem leves, dissipadas. Como a areia avançou até o fundo, agora a onda chega com mais força", disse um bombeiro, que não quis se identificar. "O risco para o banhista aumentou."

A ampliação fez a faixa de areia adentrar cerca de 45 metros rumo ao oceano. Antes da obra, o banhista caminhava por aproximadamente 25 metros do calçadão da orla até o mar. Hoje, molha os pés após andar 70 metros.

A diferença se deve à transferência de 2,5 milhões de metros cúbicos de areia retirados a 15 quilômetros da costa para a beira-mar. O processo também deixou a declividade da faixa de areia ao fundo da Praia Central mais íngreme, fazendo com que banhistas acessem áreas mais profundas mais facilmente.

Antes do alargamento da orla, na média, a cada 70 metros caminhando sentido oceano, o banhista afundava um metro no mar. Hoje, segundo dados mais atuais da prefeitura, para afundar um metro, é preciso caminhar cerca de 50 metros.

O engenheiro Rubens Spernau, ex-prefeito de Balneário Camboriú, foi o coordenador da obra de ampliação da faixa de areia. Ele disse que a mudança na declividade do fundo da praia Central era prevista. Inclusive, de acordo com o projeto, poderia ser ainda maior: aumento de um metro de profundidade a cada 20 metros.

Ainda segundo Spernau, toda obra em praias precisa de um período de acomodação. No caso da praia catarinense, esse período pode ser de até um ano. Até lá, ele espera que a praia retome características mais próximas às naturais.

Hoje, contudo, o engenheiro admite que a balneabilidade da praia Central não é a mesma: "Tem, sim, mais ondas. E as ondas chegam com mais energia na área de banho."

"Toda obra tem seu impacto. No caso de Balneário Camboriú, há uma alteração na balneabilidade, mas estamos muito satisfeitos com o resultado geral", disse João Acácio de Oliveira Neto, engenheiro e presidente da DTA Engenharia, uma das empresas contratadas para alargar a praia.

O surfista e professor Waldemar Wetter, 59, vê como positivo o balanço geral da obra. Ele frequenta a praia Central há décadas e mantém uma escolinha de surf ali há sete anos. Wetter só ressaltou que, após o alargamento, a atenção com os alunos teve que ser redobrada.

"O mar ficou um pouco mais radical", descreveu. "Para dar aulas para iniciantes, ficou um pouco mais complicado. Crianças também precisam de uma fiscalização maior."

Adriano Trinca Ferro, 41, surfista profissional, também percebeu a alteração nas ondas. Afirmou que, para quem pratica o surf, a mudança é positiva. Mas reconheceu que ela pode não agradar banhistas. "A praia passou a ter ondas mais fortes."

O capitão Abre afirmou que, já levando em conta as novas condições da praia e também um aumento no número de turistas após sua reabertura, o Corpo de Bombeiros mudou sua estratégia de atuação no local.

Segundo ele, no verão passado, em dias de grande movimento de banhistas, até 60 guarda-vidas atuavam em Balneário Camboriú. Neste verão, esse número chega a 70, sendo cerca de 45 voltados para o atendimento da praia Central.

Parte desses guarda-vidas monitora o mar e os banhistas de 12 cadeirões instalados nesta temporada mais próximos à beira-mar. Os equipamentos ajudam os bombeiros a se manterem mais perto da água já que os postos fixos acabaram ficando longe da água com o alargamento da praia.

Ainda segundo Abre, como o alargamento da praia foi inaugurado em dezembro, não há dados e tempo suficiente para saber como as novas condições do mar impactaram no número de resgates e afogamentos.

Disse que elementos climáticos, como o La Niña, também podem ter suas consequências. Ele lembrou ainda que a ideia dos guarda-vidas é orientar banhistas e sinalizar a praia justamente para evitar ocorrências.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos