Praias de Florianópolis enfrentam surto de diarreia

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis estuda as causas de um surto de diarreia nesta temporada de verão. Conforme dados da Vigilância Epidemiológica, desde o início do ano até a manhã desta terça-feira (10), 1.251 pessoas já procuraram as duas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) da capital de Santa Catarina apresentando sintomas de "doenças diarreicas agudas".

O maior número de atendimentos (914) foi registrado na UPA Norte, localizada na praia de Canasvieiras e que atende, em sua maioria, a veranistas e moradores de praias ao norte da ilha -como Ingleses, Praia Brava e Jurerê.

Os demais atendimentos foram realizados pela UPA Sul, localizado na praia do Campeche e que também atende a frequentadores de praias vizinhas como Lagoinha do Leste, Morro das Pedras e Pântano do Sul.

Na maioria dos casos, os pacientes apresentaram sintomas como vômitos, dores abdominais e aumento do número de evacuações e com fezes amolecidas ou líquidas. Em casos agudos, para evitar a desidratação, é preciso administrar soro na veia dos pacientes.

De acordo com a secretaria, o agente causador do surto repentino ainda é desconhecido e os casos registrados estão sendo analisados em busca da origem do surto. A previsão é que as primeiras conclusões saiam na semana que vem.

Ainda conforme a prefeitura, é cedo para estabelecer uma relação entre os problemas de balneabilidade das praias catarinenses nesta temporada e os casos de diarreia, dado que municípios sem praia, como São José, também estariam enfrentando surto semelhante.

Monitoramento feito pela Folha de S.Paulo desde 2016 das condições das praias brasileiras mostrou uma pioria considerável nas condições de balneabilidade do estado no último ano -dentre as 230 praias de Santa Catarina, 98 foram classificadas como ruins ou péssimas. Em 2021, esse número era de 74.

Considerando apenas os 87 pontos de medição em Florianópolis, diminuiu o número de praias boas e aumentou as consideradas regulares, o que significa, na prática, que a poluição atingiu novos pontos da ilha. Para ser considerada boa, a praia deve se manter balneável em todas as medições, feitas semanalmente. As regulares tiveram a balneabilidade comprometida em menos de 25% das medições.

Em 2021, eram 37 praias boas e 23 regulares em Florianópolis. No ano passado, os números quase se equivaleram: foram 31 boas e 30 regulares. O número de praias ruins ou péssimas subiu de 27 para 28, o que significa que ficaram impróprias para banho em mais de 25% (as ruins) ou 50% (péssimas) das semanas monitoradas.

Embora reconheça o problema de balneabilidade, a Prefeitura de Florianópolis aponta como uma das causas o retorno das aglomerações neste veraneio após os anos mais críticos da pandemia de Covid-19. O compartilhamento de objetos pessoais como toalhas, talheres, copos em residências estimula a proliferação de viroses de impacto intestinal.

Conforme orientações do Ministério da Saúde, episódios de desarranjo intestinal costumam ser causados por microrganismos como bactérias, vírus, fungos e protozoários presentes na água ou em alimentos contaminados ingeridos pelas pessoas. Por isso, a melhor forma de prevenir o adoecimento é beber somente água fervida ou mineral, cozinhar bem os alimentos, evitar comidas cruas e estar atento às condições de armazenamento dos alimentos.

Em relação às praias, cabe evitar o mar em locais impróprios para banho, especialmente nas primeiras 24 horas após um período de chuva.

A prefeitura orienta ainda as pessoas que observarem sintomas de diarreia a ingerir líquidos como água, soro, sopas e sucos, sempre com água mineral ou fervida, a fim de se manterem hidratadas, e procurarem se alimentar com comidas leves.