Praias do Rio registram pouco movimento em primeiro dia de liberação para banhistas

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RIO - As praias do Rio de Janeiro registraram pouco movimento na manhã desta segunda-feira (26), primeiro dia em que a permanência na areia e o banho de mar estiveram liberados. Em decreto publicado na última sexta-feira (23), a prefeitura também permitiu a presença de ambulantes e barraqueiros nas orlas até as 22h. A flexibilização nas praias vale apenas para os dias úteis.

Durante o último sábado e domingo, diversos banhistas desrespeitaram as medidas de restrição e lotaram as praias do Rio. Já nesta segunda, em que a permanência estava liberada, Arpoador, Copacabana e Leme, todas na Zona Sul, não registraram pontos de aglomeração.

Na Barra, o mesmo pôde ser observado: apesar da liberação em dias úteis, poucas pessoas frequentaram as orlas da região nesta segunda. Enquanto isso, ontem (25), a Praia da Barra estava lotada, com vários pontos de aglomeração da altura do Posto 4 ao Posto 7.

Em nota, a Secretaria de Ordem Pública e a Guarda Municipal informaram que não foram registrados incidentes relacionados à aglomeração nas praias neste primeiro dia útil de flexibilização. "Vale lembrar que a permanência na areia das praias da cidade segue proibida aos sábados, domingos e feriados", reforçou a secretaria.

Se, por um lado, o baixo movimento ajuda a impedir a propagação do vírus causador da Covid-19, por outro, os trabalhadores que puderam retomar suas atividades com a flexibilização ainda enfrentam dificuldades para recuperar suas rendas.

O barraqueiro Jeziel Cruz de Aragão, o Bangu, é uma destas pessoas que pôde voltar a trabalhar com a liberação do comércio nas orlas durante os dias de semana. Bem conhecido na Praia do Arpoador, ele está há 40 anos no mesmo ponto e conta nunca ter passado por uma situação parecida como a de agora. Muito angustiado e com três filhos, hoje ele conseguiu lucrar R$ 300, mas há dias que o dinheiro não dá nem para o café:

- Todos nós estamos passando por um perrengue. Se eu tivesse trabalhado sexta-feira, sábado e domingo, hoje eu não precisaria deixar o meu celular penhorado onde eu guardo a mercadoria. Acabei de pegar uma quentinha fiado para o meu funcionário que mora em Saracuruna, e tem gente que nem conseguiu pagar as contas, a gente não sabe o que vai fazer. Entrou uma frente fria hoje e, se chover até sexta, eu não vou tirar nem o dinheiro do gelo.

Bangu também reclama que os ambulantes estão se aproveitando do seu ponto enquanto ele é proibido de trabalhar. Para ele, a taxa anual de R$ 500 para ficar com o espaço deveria ser repensada no momento de crise, pois tem colegas que estão até vendendo utensílios de casa para equilibrar as contas.

- Eu mesmo já vendi um sapato e um relógio para pagar as dívidas e, se não tivesse algum bombeiro amigo para trazer quentinha para a gente comer, seria pior pra mim - diz o trabalhador.

O presidente da Associação de Barraqueiros de Praia da Zona Sul do Rio, Paulo Joarez, afirma que mesmo com as duas parcelas do Auxílio Carioca pagas pela prefeitura - de 500 reais cada - os profissionais ainda acumulam muitas dívidas do período em que não puderam trabalhar no ano passado.

Ele diz que reabrir o comércio nas orlas de segunda à sexta foi o que conseguiram neste momento, mas que, mesmo assim, deve demorar ainda para que consigam recuperar a renda perdida.

- Sabemos que talvez ainda leve algum tempo para poder liberar os finais de semana, que para nós é o que seria importante.Você vê, hoje, primeiro dia que a gente trabalhou, o tempo estava nublado e a previsão de chuva é até o fim de semana. Realmente pesa muito para a classe ficar esse tempo todo parado e não saber como vai ser o futuro.