Prata em Budapeste, Nicholas Santos pode encerrar carreira no Mundial de Piscina Curta

Nicholas Santos comemora após conquistar medalha de prata no Mundial de Budapeste (Foto: AP Photo/Petr David Josek)
Nicholas Santos comemora após conquistar medalha de prata no Mundial de Budapeste (Foto: AP Photo/Petr David Josek)

Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

O Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos iniciou-se em 17 de junho e foi encerrado em 3 de julho em Budapeste, capital da Hungria. Competição que ficou marcada pela conquista da medalha de prata do nadador Nicholas Santos, de 42 anos, na prova de 50m do nado borboleta.

Só que chegar até a final foi uma tarefa difícil para o nadador. Durante as fases preliminares, Nicholas não conseguiu concluir uma prova abaixo de 23s e atingiu a 13ª colocação entre os 16 melhores. Na disputa das semifinais, mais um resultado aquém do esperado. No entanto, mesmo assim, conseguiu uma vaga na final. Ficou com o oitavo tempo e se classificou em último.

Nesse momento de decisão, Santos cravou o tempo de 22s78 e ficou atrás somente do estadunidense Caeleb Dressel. O também norte-americano Michael Andrew assegurou o terceiro lugar. Essa medalha fez de Nicholas o nadador mais velho a subir ao pódio na história dos Mundiais.

Trata-se da sua quarta medalha em mundiais. Anteriormente faturou a prata em 2015 na Rússia, em Kazan, outra na capital húngara em 2017 e bronze no ano de 2019 em Gwangju, na China. Quanto aos Mundiais de piscina curta subiu ao pódio com ouro nas edições de 2012, 2014, 2018, e 2021, prata em 2004, 2014 e 2016 e bronze em 2004, 2010 e 2018.

Diante de tantos resultados positivos, em uma modalidade na qual ao passar dos 30 anos já é ser considerado velho, Nicholas segue a máxima: “ficar igual ao vinho, quanto mais velho melhor”. Em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes, o nadador disse acreditar que seus feitos podem estimular e influenciar novas gerações.

“Acredito que esse resultado do Mundial pode demonstrar para as outras gerações como podem superar um momento de adversidade ou não favoritismo. Classifiquei em oitavo para final e quase fiquei de fora. No dia na final, fiz os ajustes que precisava para brigar pela medalha. Foi um momento tenso, difícil, mas tive clareza do que precisava fazer para nadar mais rápido e brigar pelo podium”, disse.

Além de Nicholas, outros três brasileiros se destacaram com marcas expressivas. Nos 400m e 800m Guilherme Costa, o “Cachorrão”, quebrou o retrospecto ruim do Brasil nas provas de "fundo", que têm as distâncias mais longas, bateu o recorde sul-americano dos 800m e ganhou bronze.

A jovem Beatriz Dizotti, de 22 anos, tornou-se sexta melhor do mundo nos 1500m livre, bateu o recorde brasileiro por duas vezes que participou, baixou 17 segundos da melhor marca que havia e obteve o melhor resultado individual da natação feminina neste mundial.

Já a gaúcha Viviane Jungblut, de 26 anos, conseguiu ser a sétima melhor nadadora do mundo dos 1500m livre e nos 5km, a oitava melhor nadadora do mundo dos 800m livre e integrante do quinto melhor revezamento 4x1500 misto de águas abertas.

Porém, os medalhistas olímpicos Bruno Fratus e Fernando Scheffer, decepcionaram. Fratus, bronze nos 50m livres em Tóquio, ficou fora da final. Scheffer, bronze olímpico nos 200m livre, também caiu na semifinal.

“Esperava um resultado melhor na Seleção toda nesse Mundial. Sem dúvida nenhuma, a natação feminina se mostrou muito presente com um desempenho fora da média dos últimos anos o que mostra uma evolução importante. Não suficiente para medalhas, mas com certeza um marco para que isso aconteça em breve. As meninas dos 1500m e também a Stephanie Balduccini (semifinalista nos 100 e 200m livres) se saíram muito bem. Acredito que seja um bom momento para a reflexão, entender o que houve, ajustar e pensar nos próximos objetivos. Paris está ‘logo aí’. A evolução foi muto grande nesse mundial”, opinou.

Nicholas próximo da aposentadoria

O Mundial de Piscina Curta será realizado de 13 a 18 de dezembro em Melbourne, na Austrália. O torneio seria disputado na Rússia e em Belarus. No entanto, por causa da Guerra na Ucrânia, a competição teve a sede transferida.

Este torneio pode marcar a despedida de Nicholas das piscinas.

“Possivelmente sim [será a aposentadoria]. É a competição mais dura do segundo semestre e sempre gostei de nadar em piscina curta. Existem outras competições interessantes que eu poderia continuar competindo, por exemplo: ISL (International Swimming League), que por conta da guerra na Ucrânia houve uma pausa sem notícias se volta ou não este ano e outras como circuitos de copas do mundo”, admitiu.

Por que não parar em Paris?

Mesmo com resultados recentes tão bons, fica a pergunta: por que não seguir até Paris? Para Nicholas, há alguns contras que fazem com que não dispute os Jogos Olímpicos.

“Estaria com 44 anos. Competições em piscina de 25m são mais fáceis e daria para estender por mais um tempo com certeza, mas piscina de 50m teria que me dedicar mais para isso. Minha ideia não é nadar até onde der e, sim, decidir terminar minha carreira por acreditar que entreguei tudo que podia para natação e não parar por uma lesão grave, por exemplo. Vivo com alta intensidade nos treinos e é uma linha tênue entre ter uma lesão ou continuar seguindo com grande desempenho. Hoje com família as responsabilidades mudam, difícil passar quase dois meses na Europa competindo e deixar família no Brasil. São prioridades e o equilíbrio quase não existe”, encerrou o vovô-garoto.