Prates quer nova política de preço de combustíveis, mas sem traumas ao investidor

Tanques de combustível com logo da Petrobras na refinaria de Paulínia

(Reuters) - Indicado pelo governo eleito para a presidência da Petrobras , o senador Jean Paul Prates (PT-RN) disse nesta sexta-feira que a política de preços de combustíveis do país irá mudar no governo Lula, mas ressaltou que isso não significa descolar totalmente os valores pela estatal dos praticados no mercado internacional.

A jornalistas após reunião com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, Prates defendeu rever a utilização do Preço de Paridade de Importação (PPI) como referência para os preços internos dos combustíveis, uma vez que o Brasil é "quase" autossuficiente em refino, mas notou que não se pode "traumatizar investidores".

"Quando falamos em extinguir ou parar de usar o PPI como referência, não é que vamos desgarrar o preço completamente do mercado internacional, o país não é louco, não vamos criar uma economia paralela no Brasil", disse.

"Quer dizer que vamos parar de balizar o preço da porta da refinaria com o preço de um produto produzido em lugares completamente aleatórios, distantes, do mundo, mais frete e mais despesas de colocação."

Prates disse ainda que a política de preços da Petrobras mudará "não necessariamente para traumatizar investidor, nem o retorno dos investimentos", mas porque a "política do país vai ser alterada".

"A mudança de diretrizes de preços... vai ser dada por um consórcio do governo, Ministério da Fazenda, Ministério de Minas e Energia, Petrobras também, Conselho Nacional de Política Energética. Esse pessoal vai dizer 'olha, temos que chegar em uma fórmula, alguma coisa de referência, que não seja apenas o preço de Rotterdam mais despesas", explicou.

Sobre sua indicação a CEO da estatal, ele avaliou que poderá ser efetivado no cargo em meados de janeiro e disse que está "totalmente tranquilo" sobre a Lei das Estatais em relação à sua indicação.

Prates indicou que, quando assumir o posto, ainda levará um tempo para que decisões comecem a ser tomadas. "Temos que nos organizar e saber como a companhia está, todo mundo aqui é responsável, ninguém vai sair no primeiro dia já anunciando uma coisa."

A escolha de Prates para presidir a Petrobras confirma a intenção do governo eleito de promover uma grande mudança na estratégia da petroleira, que nos últimos anos colocou grande parte de seus investimentos na exploração e produção de petróleo no pré-sal. Prates já indicou que quer a petroleira com uma atuação mais diversificada e voltada à transição energética.

"A própria discussão da política de combustíveis também vai ganhar uma trégua... Provavelmente vamos ter uma trégua de 30, 60 dias para segurar os impostos", acrescentou.

A proposta de Prates vai na linha das promessas de campanha do presidente eleito, após o país ter sofrido nos últimos anos os impactos da volatilidade dos preços do petróleo, cujo mercado foi atingido fortemente neste ano pela guerra na Ucrânia e embargos à Rússia.

As ADRs da Petrobras negociadas em Nova York operavam perto de uma estabilidade nesta tarde. A bolsa B3 estava fechada nesta sexta-feira.

(Por Lisandra Paraguassu e Letícia Fucuchima)