Prato para Juliana Paes e drinque de Cazarré: o roteiro que encantou os atores nas gravações de 'Pantanal'

Sucesso de público e crítica no horário nobre da TV Globo, a novela "Pantanal" tem inspirado muita gente a visitar a região. Para ver de perto os cenários que aparecem nas telas, o destino certo é o município de Aquidauana, a 140 quilômetros da capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande. Lá ficam as fazendas que hospedaram o elenco e a equipe técnica e serviram de locação para a grande maioria das cenas externas que mostram o Pantanal propriamente dito. De quebra, também é possível visitar o polo gastronômico rural que caiu no gosto dos atores.

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Maior planície inundável do mundo e abrangendo vastas áreas não apenas no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, mas também no Paraguai e na Bolívia, o Pantanal é dividido em diversas regiões. O da novela é conhecido como Pantanal de Nhecolândia, e as gravações se concentraram no entorno do Rio Negro, considerada uma das zonas mais preservadas do bioma.

Diferentemente de Corumbá, na fronteira com Bolívia e Paraguai, onde o forte é o turismo de pesca, em barcos-hotéis de dar inveja à chalana de Eugênio (Almir Sater), nessa região de Aquidauana o turismo é baseado nas chamadas pousadas pantaneiras. São hotéis com poucos quartos que funcionam em fazendas, onde o hóspede tem uma imersão total no estilo de vida da região, com atividades como cavalgadas, passeios de barco e observação de animais selvagens, além de entrar em contato com os costumes locais, como a lida com o gado.

A pousada que virou fazenda dos Leôncio

Duas dessas pousadas estão exatamente dentro do cenário mostrado pela novela. Às margens do Rio Negro, o Fazenda Barranco Alto Lodge e o Hotel Barra Mansa reabrirão suas portas aos hóspedes em julho, após passarem o último ano e meio reservados pela produção da novela. Elas estão entre as seis fazendas de Aquidauana que serviram de locação e base de apoio para as gravações no Mato Grosso do Sul, que se encerraram esta semana, antes do previsto, por conta de um aumento no número de casos de Covid-19 entre a equipe.

Guilherme Rondon é o dono do Hotel Barra Mansa e já se prepara para a repercussão que o remake de "Pantanal" trará. Passeios temáticos a respeito da novela, mostrando locações e contanto histórias não estão nos planos. Segundo ele, as informações surgirão naturalmente durante as atividades oferecidas aos hóspedes, como cavalgadas, caminhadas, passeios de barco e observação de animais.

— O que seriam as terras do José Leôncio, na verdade, são todas essas seis fazendas que foram usadas para as gravações. Aqui na minha, para qualquer lugar do rio o dos campos que se olhe, a pessoa vê o cenário da novela. O Rio Negro é um verdadeiro protagonista de "Pantanal" — conta.

Ainda assim alguns pontos da fazenda são reconhecíveis aos olhos noveleiros, como uma porteira, onde personagens costumam conversar, e a já famosa ponte de madeira sobre o Rio Negro, presente em diversas cenas da produção.

Representante da quarta geração de uma família tradicional da região, Rondon lembra bem do impacto da primeira versão, exibida pela TV Manchete em 1990. Ele chegou a participar de algumas cenas, como violeiro.

— Aquela novela praticamente criou o turismo aqui no Pantanal. Depois dela, muita gente apareceu querendo visitar a Fazenda Rio Negro, cuja sede ainda hoje aparece como a casa do José Leôncio. Gente de todo o Brasil, mas também de outros países onde a novela passou, como Portugal e Espanha — conta. — Na época, ela pertencia a um tio meu, e era possível levar as pessoas até lá. Hoje não mais, já que o atual proprietário não tem interesse em atividades turísticas.

O mesmo, ele conta, deve acontecer com a tapera da Juma Marruá, que já despertou interesse das pessoas, mas fica na fazenda do Almir Sater, que também não tem atividade turística. Sater, aliás, é parceiro de Guilherme, que também tem uma carreira como compositor e músico. Mas isso não garante roda de viola todas as noites, ele avisa:

— Ser gerente de uma pousada no Pantanal é uma atividade muito complexa por si só. Esse negócio de cantoria depois de um dia pesado é coisa de novela — brinca.

Tempero 'à la' Filó

Outro ponto de Aquidauana no mapa da novela é o distrito de Piraputanga. No caminho entre Campo Grande e a região das fazendas, ele caiu no gosto da produção graças ao La Garcia Restaurante. Com pratos tradicionais à base de peixes da região, como pacu e pintado, o chef Rafael Garcia coleciona em suas contas nas redes fotos e elogios do elenco.

—Abri o restaurante há pouco mais de três anos. Sofri com a pandemia, mas tive a sorte de ter sido indicado por um produtor local, que procurava um lugar para o almoço quando o elenco estava vindo ou indo para Campo Grande. O povo gostou e continuaram vindo aqui sempre — conta o chef.

Os carros chefes da casa são a costela de pacu (com ou sem espinha), o pintado ao molho de urucum, os pasteizinhos de moqueca de pintado e a linguiça de pintado. Entre as freguesas fiéis estavam Dira Paes e Letícia Salles, intérpretes de Filó, a personagem que tempera uma comida como ninguém. E não eram as únicas.

— Fiz a linguiça de pintado para a Juliana Paes e ela adorou. Já o Juliano Cazarré ficou fã do abacachaça, um drinque especial da casa — conta o chef.

O restaurante de Garcia não é o único que vale a parada em Piraputanga. O distrito tem se consolidado como um polo gastronômico da região, atraindo moradores de cidades vizinhas, como a própria Campo Grande, nos fins de semana. O próprio chef recomenda dois "concorrentes": o Espaço Raiz, com espaço para atividades culturais e cardápio focado em ingredientes regionais, e o Pira, pioneiro na região, também especializado em pratos de peixes pantaneiros.

O distrito atrai também por atividades ao ar livre na Estrada-Parque de Piraputanga, uma área de preservação aos pés da Serra de Maracaju. Um dos programas imperdíveis é a subida ao mirante do Morro do Paxixi, que aparece na novela como o ponto de onde Joventino (Irandhir Santos) e José Leôncio (Renato Góes) observam o Pantanal pela primeira vez, na fase inicial da trama.

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