Prazo de entrega de mercados já chega a 13 dias e deve subir com surto de coronavírus

Letycia Cardoso e Pollyanna Brêtas

As medidas restritivas à circulação de pessoas nas ruas por causa do avanço do novo coronavírus têm causado um aumento de até 20% nas compras de itens básicos nos supermercados feitas pela internet, neste primeiro momento, segundo dados da AGR Consultores. As redes já estavam adaptando suas operações de abastecimento e reposição para atender a um crescimento de 25% a 40% nas compras em lojas físicas, quando perceberam a alta no fluxo dos pedidos feitos por aplicativos e sites. O cenário já provocou a ampliação no prazo de entrega de diversas redes. Em uma simulação feita pelo EXTRA na sexta-feira (20), a espera chegava a 13 dias.

Os sites de algumas redes — como Super Prix e Carrefour — emitiram comunicados aos consumidores alertando que as entregas poderiam sofrer atrasos, reagendamentos e itens poderiam ser substituídos por similares. O aplicativo de entrega Rappi, que notou aumento progressivo de pedidos desde janeiro, também fixou um aviso de que “os atendimentos estão demorando mais que o normal”.

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O engenheiro Gustavo Mendes e a mulher, a professora Graziele Borges, ambos de 35 anos, se surpreenderam com o tempo de entrega para compras feitas pelo aplicativo do supermercado Zona Sul. O prazo mínimo era de cinco dias. Antes, suas compras chegavam, no máximo, no dia seguinte. O casal fez compras quinzenais, mas acredita que os itens devem ser consumidos mais rapidamente porque os dois estão trabalhando em casa, em sistema de home office. Gustavo lamentou que um dos itens de maior necessidade não estava disponível — a água mineral —, o que o obrigará a sair de casa para ir a outra loja.

— Não tenho como evitar ir ao supermercado, porque precisamos comprar água mineral, que passamos a consumidor depois da crise da Cedae no Rio. Compramos artigos de higiene pessoal, pasta de dente, sabonete e papel higiênico, além de carne e queijo. Mas o problema é este prazo. Como será depois? — questionou Gustavo.

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O fotógrafo, Paulo César Filho, de 31 anos, conta que ficou surpreso com os prazos de entrega. Além da demora, ainda gastou R$ 77 com o frete:

— Já tenho o costume de fazer minhas compras na internet porque moro sozinho e tenho um horário de trabalho mais complicado. Por isso, fiquei surpreso com o prazo de entrega que estão dando para as compras feitas nos supermercados. No pedido online, eu posso agendar a entrega. Mas, desta vez, consegui agendar só a partir de cinco dias da minha compra, coisa que não acontecia antes de as pessoas começarem a estocar comida. Comprei itens básicos, como água, arroz, feijão, carne, papel higiênico e sabão em pó.

As farmácias também notaram aumento expressivo nas demandas de entrega que, por consequência, demoram agora até cinco dias para serem feitas. No Rio de Janeiro, por exemplo, as Drogarias Pacheco notaram crescimento de quase 80% nos pedidos feitos através do site, telefone e aplicativos de entregas, com destaques para os remédios antigripais e para as vitaminas.

A Droga Raia também notou aumento nos pedidos e disse estar preparada para atender clientes no prazo de seis horas. Já a Venâncio disse estar trabalhando para repor estoques mesmo com a alta demanda.

Para especialistas, as redes atravessam o duplo desafio logístico de dar conta do aumento do fluxo de compras nas lojas físicas — o que gera pressão sobre seus centros de distribuição e abastecimento — e de rever suas operações para atender aos pedidos feitos pelos aplicativos.

— A verdade é que os supermercados e as farmácias estão vivendo uma Black Friday. O que vai começar a acontecer é ter pouca variedade de produtos. Por exemplo, pode haver uma marca de feijão que preenche a prateleira inteira, porque o varejista não consegue distribuir as outras — disse Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, especializada em varejo.
Para lidar com este cenário, empresas do setor estão ajustando suas operações. A startup Eu Entrego, que conecta entregadores autônomos a empresas, viu um aumento de cinco vezes nos pedidos de supermercados e mercearias, que buscavam profissionais. O restante das categorias se manteve estável, segundo a empresa. Ao todo, há cerca de 80 mil entregadores cadastrados.

— Se uma rede oferecia um prazo de entrega para um ou dois dias, hoje já está prometendo entrega para sete ou oitro dias. O volume médio de itens por compras, que era de 30 a 40 produtos, já subiu para 150 — afirmou Vinicius Pessin, presidente da Eu Entrego.

De acordo com um levantamento feito pela Neogrid — empresa especializada na sincronização automática da cadeia de suprimentos —, que analisou mais de 800 pontos de vendas do varejo no Brasil, o papel higiênico, um dos itens mais procurados, registrou aumento de venda de 102%. O índice de desabastecimento subiu de 6,9%, em fevereiro, para 9,3%, em março (até o dia 14).

De acordo com os estudos da empresa, a ruptura geral, ou seja, a falta de produtos nas prateleiras, estava em 11,1%, em fevereiro, mas subiu para 11,3%, em março (média até o dia 14), quando realmente começou o aumento dos casos da doença.

— Verificamos que o índice de ruptura subiu por causa de vendas pontuais, como as de antisséptico para mãos (álcool em gel) e produtos de higiene e limpeza. O papel higiênico teve crescimento, provavelmente, pelo movimento de manada. As pessoas viram as outras comprando e fizeram o mesmo — afirmou Robson Munhoz, vice-presidente da Neogrid: — Além disso, como acompanhamos os estoques do varejo, vimos que houve uma falta de velocidade no abastecimento das gôndolas. Como não eram produtos que, normalmente, os repositores estão acostumados a abastecer, demoraram um pouco mais pata fazê-lo.

A cantora Tay Dantas, de 39 anos, reclamou que 40% dos produtos desejados não estavam mais disponíveis, sendo a maioria itens de limpeza:

—  O que está disponível são os perecíveis, as frutas, as verduras e os legumes, os queijos e as carnes. São produtos que as pessoas não estão estocando. Me preocupou não haver itens de limpeza e desinfecção.

As redes de pequeno porte podem ser uma alternativa para a população que deseja evitar a ida às lojas. Os mercados de bairro já estão sentindo as mudanças no comportamento dos consumidores e tiveram que adaptar suas operações. Na Barra da Tijuca, a loja Petit Marché, que já oferecia o serviço de entrega em domicílio, percebeu um aumento de 40% no número de pedidos nos últimos dias, a maioria para atender pessoas da terceira idade. A unidade precisou reestruturar toda a equipe da loja para atender à demanda, com a contratação de trabalhadores temporários

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Na Baixada Fluminense, o Iguassú Market, de Nova Iguaçu, passou a fazer atendimentos via aplicativo de mensagens instantâneas para atender à demanda do bairro.

— A família toda também não precisa vir ao supermercado. Basta que um venha e abasteça a residência, além de fazer as compras para uma pessoa idosa — pediu Fábio Queiroz, presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio (Asserj).

- Próxima entrega de itens selecionados pelo site disponível para Zona Sul em 24/3 (terça-feira) e para Centro, Zona Norte e Oeste em 28/3 (sábado). Valor: R$ 14,90
- Próxima entrega  para pedidos feitos pelo aplicativo Rappi disponível para todos os bairros em 26/3 (quinta-feira). Valor: R$ 14

- Site tem pedidos indisponíveis
- Pelo telefone de cada unidade, o pedido deve ser feito de 8h ao meio-dia para entrega no mesmo dia ou no dia seguinte. Valor: R$ 10,49
- Também é possível fazer pedidos pelo link: https://linktr.ee/grupohortifrutinaturaldaterra

- Próxima entrega para compras feitos pelo site disponível em 28/3 (quinta-feira) para qualquer localidade. Valor: R$ 9,90

- Próxima entrega para pedidos feitos pelo aplicativo Rappi disponível em 28/3 (quinta-feira). Valor: R$ 13,90

- Próxima entrega para compras feitos pelo site disponível em 02/4 (quinta-feira). Valor R$ 19

**O tempo para entrega pode variar de acordo com o endereço da residência

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