Preço alto da soja faz com que governo diminua mistura de biodisel no diesel de 13% para 10%

Fernanda Trisotto
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BRASÍLIA – O governo anunciou uma redução no porcentual de biodiesel que é misturado no diesel em função da alta no preço da soja e da suspensão do 79º Leilão de Biodiesel (L-79), que comercializaria o produto para abastecer o mercado em maio e junho.

Momentaneamente, o percentual de mistura passará dos atuais 13% para 10%, informaram os ministérios de Minas e Energia (MME) e Agricultura em nota conjunta divulgada nesta sexta-feira.

“O Governo trabalha pelo fortalecimento e consolidação do mercado brasileiro dos biocombustíveis, porém em um ambiente que permita a competitividade, buscando a garantia do abastecimento nacional e preservando o interesse do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta do produto”, diz o texto.

A suspensão do 79º leilão de biodiesel (L-79) foi anunciada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na quarta-feira, atendendo a pedido do MME. Apesar de não especificar a razão da suspensão, ela ocorreu após as cotações do biocombustível se aproximarem do preço máximo de referência (PMR) determinado pela agência, que era de até R$ 7.860 por metro cúbico.

“O biodiesel brasileiro tem no óleo de soja sua maior parcela de matéria-prima, com cerca de 71%, sendo o restante oriundo de sebo bovino e outros óleos. Entretanto, a despeito das previsões da safra desse grão para o ano em curso apontar um crescimento de 10% (passando de 124 para 136 milhões de toneladas), o mercado mundial continua com forte demanda pela soja, principalmente em decorrência dos baixos estoques do produto nos EUA e a crescente demanda da China”, diz a nota sobre a pressão no preço.

Essa elevação no custo da soja foi determinante para a opção de reduzir a mistura de biodiesel no diesel fóssil neste leilão. Mas a medida não será permanente.

“O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) tem proporcionado à população brasileira a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e de material particulado; a diminuição da dependência externa de importação de óleo diesel; a melhoria da qualidade do ar, principalmente nas grandes metrópoles do Brasil e, por conseguinte a redução de gastos públicos com a saúde”, justifica a nota.

Por isso, o governo diz esperar, “o quanto antes, a retomada da utilização do biodiesel nos teores estabelecidos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com o aumento da produção e uso dos biocombustíveis no Brasil”.