Preço do boi gordo cai ao menor nível quase em 20 meses por Carne Fraca; BB anuncia apoio

Por Roberto Samora
Funcionário manuseia carcaças em matadouro em Promissão, no Estado de São Paulo 07/10/2011 REUTERS/Paulo Whitaker

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O preço da arroba do boi gordo no mercado do Estado de São Paulo, importante referência nacional, está sendo negociado no menor nível desde 18 de agosto de 2015, com impacto da operação Carne Fraca, que resultou em embargos ao produto brasileiro e afastou muitos frigoríficos das negociações.

A arroba foi negociada a 140,98 reais nesta terça-feira, de acordo com dados apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com recuo de quase 3 por cento desde o início da operação da Polícia Federal anunciada em meados no mês.

O valor médio no acumulado de março está 0,9 por cento inferior ao de fevereiro e 7,7 por cento abaixo do de março de 2016, em termos nominais.

"O setor pecuário ainda vem absorvendo os impactos da Operação Carne Fraca... Em meio a muitas especulações e também aos recentes embargos por parte de importantes países à carne brasileira, pecuaristas e especialmente representantes de frigoríficos saíram do mercado, resultando em quedas nos preços da arroba", afirmou o Cepea em nota nesta quarta-feira.

Muitas unidades já paralisaram as atividades, postergando os abates que já haviam sido programados com pecuaristas, apesar de os principais importadores da carne do Brasil, como China, Hong Kong e Egito, terem anunciado a retomada das compras do produto nacional, com exceção das 21 unidades investigadas na operação, que tiveram as exportações suspensas pelo Ministério da Agricultura.

A gigante JBS, maior produtora global de carnes, anunciou nesta quarta-feira que dará férias coletivas aos funcionários de dez de suas 36 unidades de bovinos no Brasil, colocando mais pressão no mercado.

BB AJUDA

Diante da pressão de preços no mercado físico, Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio do país, anunciou nesta quarta-feira novas linhas de crédito de 1 bilhão de reais para pecuaristas, além da repactuação de operações de custeio para criadores de bovinos que estão em dificuldades.

"O objetivo do Banco do Brasil é apoiar os produtores rurais pecuaristas que possam apresentar dificuldade momentânea para comercializar sua produção", afirmou o Banco do Brasil em nota.

Uma das novas linhas é voltada para a retenção de bezerros, matrizes e bois, permitindo aos produtores aguardarem a retomada de preços do mercado para comercialização.

A outra iniciativa é uma alternativa de financiamento, com recursos próprios do banco, envolvendo a aquisição de bovinos para recria e engorda.

As novas linhas possuem prazo de até dois anos e utilizam recursos captados da LCA. As taxas variam entre 9,9 e 12,75 por cento ao ano.

A instituição oferecerá ainda a seus clientes pecuaristas a possibilidade de prorrogar, por um ano, operações de custeio e investimento com vencimento entre março e junho deste ano. Essa medida pode beneficiar 77 mil clientes que possuem 4,7 bilhões de reais em operações passíveis de prorrogação. O banco manterá as taxas das operações originais.