Preço da cesta básica subiu em todas as capitais em 2020. No Rio, valor supera R$ 620

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O preço da cesta básica, conjunto de alimentos necessários para refeições de uma pessoa adulta, aumentou em 2020 em todas as 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As maiores altas foram registradas em Salvador (32,89%), onde a cesta passou a custar R$479,08, e Aracaju (28,75%), custando R$ 453,16. No entanto, as cidades onde foram anotados preços mais altos são São Paulo, com valor de R$ 631,46 em dezembro, e Rio de Janeiro, com R$ 621,09.

O levantamento sugere que a elevação de preços foi causada, principalmente, pela desvalorização cambial, pelo alto volume das exportações e por fatores climáticos, em decorrência de longos períodos de estiagem ou de chuvas intensas. Entre os itens que mais pesaram no bolso do consumidor estão: a carne bovina de primeira, o leite UHT e a manteiga, o arroz agulhinha, a batata, o óleo de soja, o açúcar, a farinha de trigo e o pão francês, e o tomate.

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Na cidade do Rio de Janeiro, onde a cesta teve oscilação de 20,15%, o produto com maior variação ao longo do ano passado foi o óleo de soja, com 93,26%. Isso ocorreu porque o Brasil exportou um elevado volume de soja e derivados, devido ao real desvalorizado em relação ao dólar e à forte demanda externa, restringindo a oferta para o mercado interno.

O arroz foi o segundo item com maior variação no Rio: 66,15%. Além da desvalorização cambial, o preço mais caro é consequência da diminuição da área plantada nos últimos anos; e do abandono da política de estoques reguladores por parte do governo.

Segundo cálculos da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, considerando uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças, o carioca deve trabalhar 130 horas e 46 minutos para ter o básico em sua mesa, o que equivale a mais de 16 dias de trabalho.

No Brasil, quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em dezembro, na média, 56,57% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos. Dessa forma, o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.304,90.